segunda-feira, 14 de julho de 2008
AMIGOS À MESA
"Convidar alguém significa ocupar-se de sua felicidade durante todo o tempo em que estiver sob nosso teto."
Como é bom receber amigos para uma refeição, uma cerveja ou um prosaico cafezinho. Mas que seja com capricho. Dize-me o que comes e eu te direi quem és.
Porque comer qualquer coisa? O fazer cuidadoso empresta ao prato sabores intensos, inesquecíveis. Interessante como nas nossas melhores lembranças de infância sempre há um cantinho para o pudim de pão da casa da vovó, o lanche bem servido na casa da titia mais rica, as frutas cortados num grande prato sobre a mesa de madeira no sítio ou mesmo a sopa fumegando num fogão a lenha. São cheiros, sabores e cores que nos invadem. A mesa é o único lugar onde jamais nos entediamos durante a primeira hora. A descoberta de um prato novo faz mais pela felicidade do gênero humano do que a descoberta de uma estrela. Se optamos por fazer da cozinha um ateliê, onde o espírito criador e a inspiração é que vão comandar a transformação de ingredientes simples em pratos sofisticados e saborosos, com certeza sempre teremos amigos sentados conosco, saboreando o que foi preparado. O prazer da boa mesa é de todas as idades, de todas as condições, de todos os países e de todos os dias. Que tenhamos sempre nossos amigos compartilhando o alimento preparado com cuidado e carinho. É um momento único, que se tornará no futura, uma boa e grata lembrança.
Como é bom receber amigos para uma refeição, uma cerveja ou um prosaico cafezinho. Mas que seja com capricho. Dize-me o que comes e eu te direi quem és.
Porque comer qualquer coisa? O fazer cuidadoso empresta ao prato sabores intensos, inesquecíveis. Interessante como nas nossas melhores lembranças de infância sempre há um cantinho para o pudim de pão da casa da vovó, o lanche bem servido na casa da titia mais rica, as frutas cortados num grande prato sobre a mesa de madeira no sítio ou mesmo a sopa fumegando num fogão a lenha. São cheiros, sabores e cores que nos invadem. A mesa é o único lugar onde jamais nos entediamos durante a primeira hora. A descoberta de um prato novo faz mais pela felicidade do gênero humano do que a descoberta de uma estrela. Se optamos por fazer da cozinha um ateliê, onde o espírito criador e a inspiração é que vão comandar a transformação de ingredientes simples em pratos sofisticados e saborosos, com certeza sempre teremos amigos sentados conosco, saboreando o que foi preparado. O prazer da boa mesa é de todas as idades, de todas as condições, de todos os países e de todos os dias. Que tenhamos sempre nossos amigos compartilhando o alimento preparado com cuidado e carinho. É um momento único, que se tornará no futura, uma boa e grata lembrança.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
"A HISTÓRIA RECONTADA" OU "INTERPRETANDO O CRIME"

" essa história aconteceu de verdade... acreditem."
A neta da bisneta da Branca de Neve matriculou-se numa escola pública da periferia, não muito periférica, da cidade de Belô. Como a genética fala mais forte, a tendência a ser malvada e a odiar a todos que atravessem o seu caminho se manifestou precoce e fortemente quando uma terrível mulher, chamada Dona Jura, deu-lhe um tremendo bofete na porta da dita escola.
Imediatamente seu pequenino cérebro, tomado pelo espírito maligno de sua ancestral mais famosa, arquitetou um plano para envenenar a pobre filhinha da terrível mulher.
Em vez de usar uma linda maçã vermelha e lustrosa, usou uma balinha macia, doce e preparada para matar. Formou uma quadrilha com 7 anãs e perpetrou o crime.
A neta da bisneta da madrasta da Branca de Neve no entanto, não contava com as pretensões artísticas e televisivas da Dona Jura. Em contato com a mídia, falada, escrita e televisada, ela apareceu em horário nobre e no noticiário policial. E fez muito sucesso: seu cabelo amarradinho em “mula manca”(versão unilateral da “maria-chiquinha”, seus peitos siliconados e sua ensaiada meiguice ao perguntar diante da câmaras :-“ Que mundo é esse? Que crianças são essas?”, deixaram a cidade abestalhada com historinha de terror patrocinada pelo João (ele não é do Patrocínio?)
A Dona Jura, as 7 anãs e o príncipe Francisco acabaram não sendo felizes para sempre. A polícia teve de intervir, algumas valentes donzelas e apenas uma canalha não deixaram que a história tivesse um final como nas novelas da Rede Globo.
A neta da bisneta da Branca de Neve casou-se com o príncipe Magalhães Drumond e partiu em seu cavalo branco para nunca mais voltar.
Quer que eu conte outra vez???
"Quem gosta de armar um "barraco" e encontra, além da platéia uma rede de TV pronta pra tranmitir o recado, acaba se dando bem"
A neta da bisneta da Branca de Neve matriculou-se numa escola pública da periferia, não muito periférica, da cidade de Belô. Como a genética fala mais forte, a tendência a ser malvada e a odiar a todos que atravessem o seu caminho se manifestou precoce e fortemente quando uma terrível mulher, chamada Dona Jura, deu-lhe um tremendo bofete na porta da dita escola.
Imediatamente seu pequenino cérebro, tomado pelo espírito maligno de sua ancestral mais famosa, arquitetou um plano para envenenar a pobre filhinha da terrível mulher.
Em vez de usar uma linda maçã vermelha e lustrosa, usou uma balinha macia, doce e preparada para matar. Formou uma quadrilha com 7 anãs e perpetrou o crime.
A neta da bisneta da madrasta da Branca de Neve no entanto, não contava com as pretensões artísticas e televisivas da Dona Jura. Em contato com a mídia, falada, escrita e televisada, ela apareceu em horário nobre e no noticiário policial. E fez muito sucesso: seu cabelo amarradinho em “mula manca”(versão unilateral da “maria-chiquinha”, seus peitos siliconados e sua ensaiada meiguice ao perguntar diante da câmaras :-“ Que mundo é esse? Que crianças são essas?”, deixaram a cidade abestalhada com historinha de terror patrocinada pelo João (ele não é do Patrocínio?)
A Dona Jura, as 7 anãs e o príncipe Francisco acabaram não sendo felizes para sempre. A polícia teve de intervir, algumas valentes donzelas e apenas uma canalha não deixaram que a história tivesse um final como nas novelas da Rede Globo.
A neta da bisneta da Branca de Neve casou-se com o príncipe Magalhães Drumond e partiu em seu cavalo branco para nunca mais voltar.
Quer que eu conte outra vez???
"Quem gosta de armar um "barraco" e encontra, além da platéia uma rede de TV pronta pra tranmitir o recado, acaba se dando bem"
sábado, 28 de junho de 2008
EMJP -Desventuras


" Em 1999 eu trabalhava à noite, numa escola de periferia, alfabetizando adultos....Foi quando aconteceu...."
Mesmo não querendo acreditar, são três os suspeitos do delito cometido. Mesmo sabendo ser difícil acreditar que bons profissionais, militantes na área da educação se prestem a semelhante papel, somos obrigados a incluí-los no rol dos principais interessados em atrasar nossa saída, em plena quarta-feira, véspera das tão esperadas férias de julho. No entanto, não foi descartada a hipótese de que algum aluno, insatisfeito com a pluralidade reinante, tenha cometido essa experiência transgressora. Palito, ou outro objeto não identificado, introduzido cuidadosamente dentro de um cadeado, pode levar um bando de mulheres ao total desespero. principalmente à noite e próximo à uma favela violenta.
Mas não foi isto que aconteceu.
Inacreditável!
Apesar do “adiantado da hora”, havia muito bom humor reinando, sob as luzes dos novos holofotes.
O porteiro, de marreta em punho, não conseguia abrir o famigerado Papaiz. Não houve clips, canivete, martelo ou chave de fenda que vencesse a resistência do dito cujo.
Filosofamos muito tempo, sentadas no murinho da garagem, sobre o promíscuo comportamento sexual da genitora do aluno que perpetrou a malévola ação. Reafirmamos nosso compromisso de não deixar transparecer para os garotos o nosso contratempo noturno. Houve, inclusive, a sugestão para que fosse feito um comunicado, dizendo que, aproveitando a luz do luar, ficamos fazendo uma reunião pedagógica, convocada pela diretoria, em caráter de urgência. Outra idéia que surgiu foi a de tentar convencê-los de que estaríamos inaugurando a novíssima iluminação hollywoodiana, recentemente instalada. De qualquer maneira, isto só será decidido futuramente, em assembléia e com o devido registro em ata.
Uma colega, com mais iniciativa, imediatamente chamou o maridão, que veio em nosso socorro mais rápido que o Batman.
Eu sempre soube que marido das outras é bem melhor que o da gente (pois nunca nos dá problema), mas nunca imaginei que fosse tão melhor assim:
- Viva o marido da outra! E o serrote e a caixinha de mil e uma utilidades que ele trouxe para resolver nosso angustiante problema. E não é que resolveu mesmo? De forma rápida e competente.
No final dessa história, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
Agora, tão logo se compre um novo cadeado e se faça as 50 ou 60 chaves necessárias, evidentemente que outro palito será devidamente introduzido no tal orifício e toda a história se repetirá. Só que agora saberemos a quem recorrer.
Experiências anteriores é tudo que se espera de uma equipe!
Em tempo: Cheguei em casa, bati com o carro no portão da garagem que imediatamente saiu do trilho. Por volta de 23:30h eu e a família (que foi devidamente acordada por mim, incluindo alguns sonolentos vizinhos) conseguimos fechar o famigerado portão e demos pela falta do cachorro. Saí com meu filho, rodando de carro pelo bairros vizinhos à procura do “infeliz”, que estava, traqüilamente dentro de casa, placidamente dormindo embaixo de uma cama. Como meu celular estava com a bateria arriada, só fui saber da boa nova , ao retornar ao "lar doce lar”, por volta de meia noite. Oh, stress insuportável!
Em tempo, de novo: Como o marcador de combustível do meu velho chevette estava estragado e por causa das peripécias de ontem, eu não lembrei de abastecê-lo e fiquei presa na garagem da escola. Em parte foi bom: - Descobri que o meu marido também consegue resolver problemas com a mesma competência do marido daquela outra. Basta ligar!
"Trabalhar à noite era muito bom!"
quinta-feira, 26 de junho de 2008
PUNTA DEL ESTE
Casapueblo
Interessante e gigantesca escultura na praia
Este texto foi escrito em 02/02/2004.
Viajar é bom.
É ótimo!
Quando não se pode ir, recordar o que foi registrado consola e aquece a alma.
Dormimos pouco e acordamos já ancorados. Lá longe Punta Del Este nos espera. Depois daquele absurdo café da manhã fomos para o convés ensolarado observar a descida das lanchas para o desembarque. Milhares de “caravelas” se movimentavam em volta do navio.A princípio pensei que fossem sacos plásticos transparentes. O porto de Punta só serve para a náutica esportiva e ali não se atracam os grandes navios cargueiros ou translatlânticos.
O porto, com centenas de iates luxuosos, a maioria brancos, reflete a extraordinária luz do sol da manhã. Algumas embarcações impressionam pelo tamanho e pela beleza. Muitas aves marinhas sobrevoam a área, pousando nas bóias e nos postes de iluminação. As gaivotas são grandes e barulhentas.
A guia Martina deu explicações claras e interessantes durante o passeio de ônibus pela cidade. Punta e Maldonado são cidades gêmeas - grudadas mesmo. São refúgios dos milionários brasileiros e argentinos, principalmente os apreciadores dos cassinos. Lá morou Vinícius de Moraes, João Goulart, exilados políticos da ditadura militar, Matarazzos, Scharpas e tantos outros. O pai do Chiquinho Scharpa chegou a dar festas monumentais, quando até elefantes foram trazidos da Índia para compor a decoração. Vimos uma casa que foi vendida por dois milhões de dólares, à vista e outra anunciada por quatro milhões. As casas são construídas entre gramados, flores e árvore, tudo perfeitamente cuidado por hábeis jardineiros. Tem-se que manter preservado dois terços de qualquer terreno, como área pública, sem cercas, sem muros. Algumas casas ostentam grandes e artísticos portões, apenas como decoração, uma vez que não há necessidade deles, já que não existem muros.
Passamos também pelo bairro pobre de Punta. São casas espalhadas próximo ao mar, cobertas de zinco ou lata. Apesar da pobreza, não há problemas de violência, insegurança ou sujeira.
Os supermercados são pequenos. Muito pequenos. A cidade tem vinte e cinco mil habitantes. De 26 de dezembro até a segunda feira depois da Páscoa, a cidade ganha mais quatrocentos e cinqüenta mil visitantes, o que torna a vida da cidade mais difícil.
As dunas que acompanham toda a orla marítima têm a vegetação original muito preservada o que torna o acesso às praias bastante complicado. Não há ruas ou caminhos. A vegetação é que impede que os ventos de até cem quilômetros por hora carreguem a areia para as casas e avenidas da cidade. Vimos alguns banhistas aproveitando o sol na Praia Mansa e na Praia Brava. Grandes rochedos circundam as praias. Do alto de uma colina pudemos ter uma bela visão da “Casapueblo”, do artista plástico Carlos Paéz Vilaró. Lembra muito as construções de Galdi, em Barcelona. Enorme, branca, imponente. Debruçada sobre um penhasco com suas incontáveis torres apontadas para o céu. Lá também funciona um museu, que infelizmente não pudemos visitar porque o tempo já estava se esgotando.
Martina nos disse que a região é tão rica em iodo que o sal ali consumido não pode ser iodado.
O ônibus nos deixou no “point” da cidade: largas avenidas, palmeiras, lojas, jardins, restaurantes, confeitarias. Tudo muito fino. Lojas de grifes famosas como Armani, Gucci, Saint Laurent cobram preços inimagináveis. Num restaurante simpático tomamos chope em canecas gigantes e comemos sanduíches enormes, riquíssimos em colesterol, e muito gostosos. Raquel pediu um guaraná e o garçon lembrou a ela que não estávamos no Brasil. Foi um lapso de memória da garota... Caminhamos um pouco, sentindo o ar de prosperidade e ostentação que se respira na cidade. Numa confeitaria charmosíssima, comemos doces perfeitos. Começamos nossa caminhada de volta ao porto. A luz excessiva, o sol forte, o calor, a “barriga cheia” e o cansaço acumulado dificultaram um pouco a nossa jornada. A praia é coberta de pedras e há partes gramadas arborizada com graciosas palmeiras, identificadas pela Miriam como sendo "cica". Não sei se posso confiar nos conhecimentos botânicos da advogada. Antes de embarcarmos em uma lancha para o Costa Allegra, uma enorme gaivota deu uma tremenda “borrada” no meu braço. Dizem que é sinal de sorte. E deve ser mesmo, porque fazer uma viagem dessas é como tirar a sorte grande. O cheiro forte de peixe podre é que incomodou bastante.
De volta ao navio, e depois de um bom banho para retirar as lembranças da gaivota, fomos para o “shopping” de bordo, onde comprei duas lindas bolsas de festa. Deixamos as compras na cabine e subimos ao convés para admirarmos o pôr-do-sol. Foi um espetáculo gratuito e encantador.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Oração dos petistas
JURO QUE EU QUERIA TER ESCRITO ESSA ORAÇÃO.
SENHOR,
fazei de mim o instrumento do golpe na Constituição para garantir mais uma reeleição...
onde houver mutreta...que eu mostre a maleta;
onde houver gorjeta..que seja minha teta...
que eu tenha dor na munheca de tanto encher a cueca; em cada licitação...
que alguém molhe a minha mão e que no meu endereço...
vença o meu preço;
onde houver crachá... que não falte o jabá...
onde houver ócio...que eu feche o negócio;
onde houver propina, que reservem o da vila campesina;
mas sem esquecer do MST, das ONGs e do PT...
onde houver colarinho branco... que dobre o lucro do banco;
onde houver esquema...cuidado com o telefonema;
e quando tocar o sino...chamem o Genoíno;
se mexerem no meu...que venha o Zé Dirceu e,
se a proposta for chula, lembrai do custo do Lula.
Ó Mestre, que eu tenha poder para corromper e ser corrompido...
porque é sonegando que se é promovido e mentindo que se vai subindo...
pois enquanto o povo sofre com imposto e inflação,o índio passa o facão,
o sem terra faz a invasão,a base aliada entra na negociação e a gente mete a mão...
E que a pizza seja feita pela vossa vontade enquanto a grana da publicidade levar o povo a aceitar nossa desonestidade como se fosse genialidade... AMÉM
(Autoria desconhecida)
SENHOR,
fazei de mim o instrumento do golpe na Constituição para garantir mais uma reeleição...
onde houver mutreta...que eu mostre a maleta;
onde houver gorjeta..que seja minha teta...
que eu tenha dor na munheca de tanto encher a cueca; em cada licitação...
que alguém molhe a minha mão e que no meu endereço...
vença o meu preço;
onde houver crachá... que não falte o jabá...
onde houver ócio...que eu feche o negócio;
onde houver propina, que reservem o da vila campesina;
mas sem esquecer do MST, das ONGs e do PT...
onde houver colarinho branco... que dobre o lucro do banco;
onde houver esquema...cuidado com o telefonema;
e quando tocar o sino...chamem o Genoíno;
se mexerem no meu...que venha o Zé Dirceu e,
se a proposta for chula, lembrai do custo do Lula.
Ó Mestre, que eu tenha poder para corromper e ser corrompido...
porque é sonegando que se é promovido e mentindo que se vai subindo...
pois enquanto o povo sofre com imposto e inflação,o índio passa o facão,
o sem terra faz a invasão,a base aliada entra na negociação e a gente mete a mão...
E que a pizza seja feita pela vossa vontade enquanto a grana da publicidade levar o povo a aceitar nossa desonestidade como se fosse genialidade... AMÉM
(Autoria desconhecida)
terça-feira, 17 de junho de 2008
ÁGUAS EMENDADAS - Crônica de uma mãe urbana
"...é preciso percorrer novas trilhas do Cerrado..."
Na Semana Santa de 2003 pudemos, finalmente, ir a Planaltina, próximo do Distrito Federal, visitar o Leonardo, nosso filho caçula, na época com 23 anos, que estava fazendo o Mestrado em Ecologia na UNB e morando dentro da Reserva Ecológica de Águas Emendadas onde trabalhava no seu Projeto, com vistas à dissertação de final de curso. O Cerrado e suas árvores retorcidas, a terra vermelha, o perfume do araticum maduro e o canto dos pássaros têm realmente uma certa magia. Os lugares são lindos. A vereda de buritis, alagada pelas últimas chuvas, empresta ao lugar um certo ar de encantamento. Os pés de pequi estão por toda parte e prometem fartura nos próximos meses. Pequenos arbustos de murici, araçá e cagaita estão floridos e a espera de frutos doces e cheirosos. Há também matas de galeria, cuja vegetação mais densa e úmida contrasta com a mais esparsa, que predomina em toda a reserva. É ali que os gaviões e mamíferos mais difíceis de serem vistos vivem e se reproduzem.
Ficamos lá por três dias, fomos à área onde o Leo desenvolveu seu trabalho e pudemos ver de perto os pássaros capturados na fina rede de seda e anilhados por ele e seus colegas pesquisadores. Fotografamos os filhotes de uma coruja bem grande, que ficou de longe nos olhando ameaçadoramente, enquanto os pequerruchos eram examinados. Me diverti com os bandos de papagaios barulhentos, me encantei com o casal de pica-paus d pescoço dourado, com as tesourinhas, beija-flores e outros tantos pássaros com suas penas de colorido exuberante. Vi ninhos ocupados por pombas silvestres e seus ovos branquinhos, que foram cuidadosamente medidos e depositados no mesmo lugar de onde foram tirados, os enormes ninhos dos graveteiros, por aqui chamados de guaxos, e pude sentir toda a força de uma natureza protegida e preservada. Ouvi os relatos dos encontros com os lobos guarás, com os tamanduás-bandeira, com a suçuarana, com a cascavel e a perigosa jararaca. Vi um tatu-galinha, que se virou rapidamente e sumiu por dentro do mato entre uma nuvem de poeira vermelha e senti o quanto somos urbanos e mal preparados para esse tipo de vida. Receamos pela segurança do filho querido, esquecendo-nos que atravessar o centro da cidade ou mesmo ir para a Universidade é uma aventura bem mais arriscada que conviver com o canto dos pássaros, com os horizontes tingidos de rosa, com o calor do sol e com a doce agressividade do cerrado brasileiro. Realmente é um lugar diferente do caos urbano em que vivemos e ao qual já nos acostumamos. Sabemos que riscos existem, lá e aqui. Que viver é algo extremamente perigoso. Mas numa reserva ecológica os riscos são calculados, enquanto que na metrópole não temos segurança nem pra chegar até a esquina, com medo de um assalto ou de uma bala perdida.
Interessante notar que, apesar da grande quantidade de bichinhos como mariposas de todos os tamanhos, abelhas e vespas, formigas e besouros, lagartas e cigarras, os pernilongos e carrapatos não existem por lá. As aranhas são enormes e assustadoras e sempre dão as caras nos lugares mais escondidos da casa e mesmo no meio do mato, entre folhas secas e gravetos espalhados pelo chão.
Apesar da falta que o Leo fez em nossa casa, sabíamos que ele estava feliz, realizando um sonho e um trabalho super importante para o futuro Foi ótimo podermos partilhar com ele seu novo habitat, foi bom ver como ele encara com garra, responsabilidade e competência o trabalho pesado do campo e o trabalho intelectual exigido pela pesquisa que estava realizando. Foi muito prazeroso poder compartilhar sua alegria ao descobrir um novo ninho a ser registrado, o canto de uma ave até então desconhecida , uma pegada misteriosa na terra vermelha. E além de tudo, cozinhar, descongelar a geladeira, enterrar o lixo orgânico, separar o lixo seco a ser levado para a cidade, trancar a casa, preparar a marmita para o dia seguinte, lavar a louça, fazer as compras em Planaltina, estudar, estudar, estudar...registrar o trabalho do dia...anotar...rever anotações e ler..ler.. e ler mais um pouquinho antes de, finalmente, ir dormir. Dormir para acordar às 4 horas, vestir a roupa de campo, pegar a bicicleta e seguir, com uma lanterna na cabeça , para a área de pesquisa, que fica distante uns 10 quilômetros da casa onde morava. Ainda restavam alguns bons quilômetros de “picadas” a serem abertas com o facão, apesar dos 12 já abertos e que deixaram as mãos do rapaz cheias de calos e cortes.
Tive certeza que o nosso menino ainda tinha muito a aprender e muito mais a ensinar aos pais que não conseguem esconder o orgulho de tê-lo como filho.
Nosso filho é nosso herói!!!
Hoje, o Leo, já casado, está na reta final do doutorado, aqui mesmo em Belo Horizonte e além de se embrenhar no Cerrado, curte a Mata Atlântica, a Amazônia, o Pantanal... Onde houver um passarinho, lá estará ele, com sua ensebada cadernetinha de anotações, o GPS, o binóculo, a espingarda de chumbinho e toda a disposição necessária pra se fazer ciência nesse país ....
Na Semana Santa de 2003 pudemos, finalmente, ir a Planaltina, próximo do Distrito Federal, visitar o Leonardo, nosso filho caçula, na época com 23 anos, que estava fazendo o Mestrado em Ecologia na UNB e morando dentro da Reserva Ecológica de Águas Emendadas onde trabalhava no seu Projeto, com vistas à dissertação de final de curso. O Cerrado e suas árvores retorcidas, a terra vermelha, o perfume do araticum maduro e o canto dos pássaros têm realmente uma certa magia. Os lugares são lindos. A vereda de buritis, alagada pelas últimas chuvas, empresta ao lugar um certo ar de encantamento. Os pés de pequi estão por toda parte e prometem fartura nos próximos meses. Pequenos arbustos de murici, araçá e cagaita estão floridos e a espera de frutos doces e cheirosos. Há também matas de galeria, cuja vegetação mais densa e úmida contrasta com a mais esparsa, que predomina em toda a reserva. É ali que os gaviões e mamíferos mais difíceis de serem vistos vivem e se reproduzem.
Ficamos lá por três dias, fomos à área onde o Leo desenvolveu seu trabalho e pudemos ver de perto os pássaros capturados na fina rede de seda e anilhados por ele e seus colegas pesquisadores. Fotografamos os filhotes de uma coruja bem grande, que ficou de longe nos olhando ameaçadoramente, enquanto os pequerruchos eram examinados. Me diverti com os bandos de papagaios barulhentos, me encantei com o casal de pica-paus d pescoço dourado, com as tesourinhas, beija-flores e outros tantos pássaros com suas penas de colorido exuberante. Vi ninhos ocupados por pombas silvestres e seus ovos branquinhos, que foram cuidadosamente medidos e depositados no mesmo lugar de onde foram tirados, os enormes ninhos dos graveteiros, por aqui chamados de guaxos, e pude sentir toda a força de uma natureza protegida e preservada. Ouvi os relatos dos encontros com os lobos guarás, com os tamanduás-bandeira, com a suçuarana, com a cascavel e a perigosa jararaca. Vi um tatu-galinha, que se virou rapidamente e sumiu por dentro do mato entre uma nuvem de poeira vermelha e senti o quanto somos urbanos e mal preparados para esse tipo de vida. Receamos pela segurança do filho querido, esquecendo-nos que atravessar o centro da cidade ou mesmo ir para a Universidade é uma aventura bem mais arriscada que conviver com o canto dos pássaros, com os horizontes tingidos de rosa, com o calor do sol e com a doce agressividade do cerrado brasileiro. Realmente é um lugar diferente do caos urbano em que vivemos e ao qual já nos acostumamos. Sabemos que riscos existem, lá e aqui. Que viver é algo extremamente perigoso. Mas numa reserva ecológica os riscos são calculados, enquanto que na metrópole não temos segurança nem pra chegar até a esquina, com medo de um assalto ou de uma bala perdida.
Interessante notar que, apesar da grande quantidade de bichinhos como mariposas de todos os tamanhos, abelhas e vespas, formigas e besouros, lagartas e cigarras, os pernilongos e carrapatos não existem por lá. As aranhas são enormes e assustadoras e sempre dão as caras nos lugares mais escondidos da casa e mesmo no meio do mato, entre folhas secas e gravetos espalhados pelo chão.
Apesar da falta que o Leo fez em nossa casa, sabíamos que ele estava feliz, realizando um sonho e um trabalho super importante para o futuro Foi ótimo podermos partilhar com ele seu novo habitat, foi bom ver como ele encara com garra, responsabilidade e competência o trabalho pesado do campo e o trabalho intelectual exigido pela pesquisa que estava realizando. Foi muito prazeroso poder compartilhar sua alegria ao descobrir um novo ninho a ser registrado, o canto de uma ave até então desconhecida , uma pegada misteriosa na terra vermelha. E além de tudo, cozinhar, descongelar a geladeira, enterrar o lixo orgânico, separar o lixo seco a ser levado para a cidade, trancar a casa, preparar a marmita para o dia seguinte, lavar a louça, fazer as compras em Planaltina, estudar, estudar, estudar...registrar o trabalho do dia...anotar...rever anotações e ler..ler.. e ler mais um pouquinho antes de, finalmente, ir dormir. Dormir para acordar às 4 horas, vestir a roupa de campo, pegar a bicicleta e seguir, com uma lanterna na cabeça , para a área de pesquisa, que fica distante uns 10 quilômetros da casa onde morava. Ainda restavam alguns bons quilômetros de “picadas” a serem abertas com o facão, apesar dos 12 já abertos e que deixaram as mãos do rapaz cheias de calos e cortes.
Tive certeza que o nosso menino ainda tinha muito a aprender e muito mais a ensinar aos pais que não conseguem esconder o orgulho de tê-lo como filho.
Nosso filho é nosso herói!!!
Hoje, o Leo, já casado, está na reta final do doutorado, aqui mesmo em Belo Horizonte e além de se embrenhar no Cerrado, curte a Mata Atlântica, a Amazônia, o Pantanal... Onde houver um passarinho, lá estará ele, com sua ensebada cadernetinha de anotações, o GPS, o binóculo, a espingarda de chumbinho e toda a disposição necessária pra se fazer ciência nesse país ....
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