terça-feira, 31 de julho de 2012

BELÉM DO PARÁ - CENTRO HISTÓRICO E ESTAÇÃO DAS DOCAS

" Quando viajamos, o tempo adquire uma dimensão diferente, e cada momento se transforma numa experiência única." 

Depois do café da manhã, que se prolongou ao redor da mesa bonita preparada pela nossa anfitriã Heddy, a Leticia chegou com a bela Sarah, que mais parece uma princesinha cheia de dengos e sorrisos. Saimos por volta das 10 horas rumo ao Centro Histórico. O trânsito ainda  não estava muito confuso por causa das férias escolares, mas nos outros dias, Belém já sofre com os transtornos de mobilidade urbana, como qualquer grande metrópole brasileira.

Belém, com seus quase 400 anos, possui belíssimos prédios antigos que ficam escondidos pela quantidade enorme de fios elétricos, de telefones e Tvs a cabo totalmente "embaraçados" em mil gambiarras, além das grandes placas publicitárias que atrapalham enormemente a visão dos belos casarões históricos. Muitos estão sendo recuperados. Belém passa por um processo der revitalização nunca antes visto, e a valorização dos sítios históricos é uma realidade percebível.

            
                                                                       PALACETE BOLONHA
                       PALACETE PINHO, RECENTEMENTE RESTAURADO
                                                     CASARÕES BEM PRESERVADOS




As famosas mangueiras estão espalhadas por toda cidade, formando verdadeiros túneis de um verde exuberante, que amenizam o calor e ameaçam os carros. Ali, um afundamento ou dois no teto de qualquer veículo, não o desvaloriza em nada na hora da revenda. Todos sofrem do mesmo mal.



As  grandes praças exibem árvores centenárias e monumentos  franceses,  coretos e jardins. As avenidas são largas e muita gente debaixo do sol escaldante é vista andando pelas ruas. Esta é a Praça Batista Campos.

 Os shoppings são vários, os edifícios modernos  e vêem-se construções novas por todos os lados.

 Chegamos  ao  complexo arquitetônico e religioso da cidade velha .O Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém, popularmente conhecido como Forte do Presépio. É um espaço muito bem cuidado, com muitos canhões de todos os tamanhos apontados para a baia do Guajará. Parece que foi recentemente reformado e está perfeitamente preservado. Lá também funciona o Museu do Encontro onde estão expostas peças de cerâmica Marajoara e que conta um pouco da colonização portuguesa no Pará. 





Do alto dá pra ver o Ver-o-Peso, que serve de moldura para a cidade velha.
Muitos urubus e pombos dão movimento ao lugar. As embarcações chegam e saem trazendo açaí e levando outras mercadorias, combustível , frutas e pessoas... 

                         Lá fomos nós para a Catedral Metropolitana de Belém, construída em 1771 possuindo belas e preciosas telas ricamente emolduradas em todas as paredes.



                     Vimos esta igreja iluminada a bordo de um barco turístico. Belíssima imagem!



O Museu de Arte Sacra fica no complexo do Palácio Episcopal. O acervo é rico e variado. O monitor Paulo nos acompanhou durante toda a visita, dando explicações valiosas sobre as peças expostas. São centenas,  de tamanhos e idades diversas, e expostas obedecendo rígidos padrões de conservação e segurança. A Igreja de Santo Alexandre fica anexa ao Museu (ou vice-versa), possui um belíssimo altar de madeira ricamente esculpido. Achei as  cadeiras dissonantes, pois  são estofadas, modernas e num tom de amarelo totalmente em desacordo com prédio e sua história.  Fomos informados que o lugar  é usado para eventos e por isso.... 


 A Basílica Santuário  da Virgem de Nazaré transmite um ar de leveza e alegria pelas cores claras e a luz natural que penetra pelos vitrais coloridos...


A Basílica Santuário foi erigida em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré pelos padres Barnabitas e foi inspirada na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma. Tem mais 60 metros de comprimento e seu interior é de mármore. Os belos vitrais e o forro totalmente pintado por artistas paraenses se referem à devoção da Virgem de Nazaré. Na fachada externa, bem no alto uma curiosidade chama a atenção dos visitantes mais atentos. Num cenário bem Amazônico,  a Virgem, índios, negros, jesuítas, Pedro Álvares Cabral e o fundador da cidade, um governador e uma família de operários . Alguns de terno e gravata..

O almoço   foi bem paraense e a siesta inevitável!....

Já é  noite e saímos, em dois carros, para conhecer a Estação da Docas. São 500 metros de orla e mais de 32 mil metros quadrados  de antigos galpões de ferro onde hoje  a cultura e a diversão reinam absolutas. Ali acontecem shows folclóricos, espetáculos de dança e música.


 Boulevard das Artes, Boulevard da Gastronomia e o Boulevard das Feiras e Exposições. Lojas de bom gosto,  fábrica de cervejas, sorveterias, teatro, cinema, restaurantes e bares, sempre cheio de turistas e gente bonita.
                                   CAIRU - O MELHOR SORVETE DO BRASIL... OU DO MUNDO?

O arquiteto Paulo Chaves Fernandes abriu uma janela para a baía do Guajará, mais adaptando que intervindo na antiga estrutura das Docas.  Os grandes guindastes, as grandes peça de ferro e tudo que pode ser aproveitado hoje fazem parte desse imenso complexo. Um ancoradouro turístico também compõe a Estação das Docas. Essa e outras intervenções na paisagem de Belém vem fazendo desse arquiteto um marco divisório entre a antiga e a Nova Belém.


MARAJÓ - O AMANHECER E OS BÚFALOS


" As viagens são na juventude uma parte da educação e, na velhice, uma parte da experiência." Francis Bacon


Acordei por volta da 5:45h, me vesti rapidamente e rumei pra praia. Catarina e Jodauro já estavam à espera do espetáculo que o sol ia oferecer de graça pra todos os hóspedes do hotel que estivessem dispostos a sair da cama  bem cedinho. Esse espetáculo tem hora marcada e não tem condição de ser adiado....
Apesar de uma nuvem inconveniente que teimava em ficar na frente do astro rei, pudemos apreciar não só a beleza de uma magnífica praia totalmente deserta, como observar os inúmeros pássaros que faziam revoadas nesse horário: Andorinhas, mergulhões, maritacas, martins pescadores e muitos urubus... 


 Ali perto, há um ninhal dessas grandes e incompreendidas aves que saem às centenas, em busca de alimentos. Segundo um morador  os urubus comem os peixes mortos pela mistura de água doce e salgada e que ficam espalhados na areia. Quando não há fartura de peixes e restos do matadouro em Soure, eles comem os coquinhos inajá e outra pequenas frutas comuns. 


Aos poucos o  sol coloriu todo o céu e por ali ficamos mais um pouco de tempo,  tentando fotografar o privilégio de estar em Marajó naquele momento...

                                                        PRAIA DE RIO. ACREDITAM?

 Depois do café e do mingau de tapioca, fomos ver os búfalos, Jacó e Colega. São de duas raças distintas, Jacó tem vinte e três anos e os chifres enormes, voltados pra baixo, é um Jafarabadi. Colega e bem menor, tem 13 anos e os chifres voltados pra própria cabeça e é um Murrah.



O dono, Ronaldo, ficou conversando sobre a Ilha, o clima, o regime das chuvas e os búfalos, seu ganha-pão. Afinal tomamos coragem e montamos no bicho. Jacó, de tão dócil, chega a se ajoelhar para facilitar a subida do cliente. 
Subi com certa dificuldade, mas é inacreditável ver um bicho tão grande, se deixar montar como se fosse um um cavalinho de trote, daqueles  bem mansos.


Catarina chamava por Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a cada balanço do búfalo. E ria de tão feliz, apesar do medo estampado no rosto.




O almoço foi ótimo, com o filé à marajoara, coroado com muçarela de búfala bem derretida e dourada para nos despedirmos. Delicioso!


Logo a Paula estava de volta e pontualmente nos pegou para levar ao Porto de Camará, onde embarcaríamos de volta à Belém...



               A Pousada dos Guarás e a Ilha do Marajó ficarão gravadas em nossa lembrança, para sempre...



A chegada ao porto e o embarque sempre é um pouco confusa por causa do grande número de pessoas , mas tudo de forma ordeira e sem tumultos ou gritaria. Dessa vez o barco é um pouco maior.


Da amurada ficamos observando o movimento. Um grande chiqueiro à beira d'água, embaixo de uma grande construção e um trise porquinho, já embarcado em um pequeno bote.



Vendedores de abacaxi fatiado, cafezinho, tapioca molhada na folha de banana, gringos vermelhos de tanto apanharem o sol na linha do Equador, gente trançando entre as bagagens... Nesse barco não há bagageiro na sala VIP, mas ninguém se importa com isso. Danilo "ajudou" a menina morena marajoara, a vender as tapiocas. Segurou a vasilha enquanto ela, descansadamente, atendia a todos os clientes VIPs...

                     Heddy e David nos esperavam com um belo jantar, a Cerpa gelada e o abraço caloroso.
A salada de macarrão com frango defumado e a torta de batata com camarão foram  finalizadas com sorvetes de frutas do Pará. Maravilhoso esse jantar!

Rimos demais com as histórias das dores de barriga que acometem uns e outros em todas as oportunidades possíveis.... estar junto de amigos é sempre motivo de riso fácil!
 Amanhã começaremos , de fato, a conhecer a cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

MARAJÓ - QUANTAS SURPRESAS ESSA ILHA NOS RESERVA

" Minha serenidade reside no mundo natural, em me sentir parte dele, por menor que seja essa parte" Acordamos e já passava das sete. O barulho do vento nas folhas dos inúmeros coqueiros existentes na área da pousada deixava no ar a impressão de uma chuva torrencial. Mas nada disso. O céu claro e o sol forte já davam mostras do calor que estava por vir. O tempo aqui foi explicado pelo recepcionista da pousada da seguinte maneira... De março a novembro o tempo fecha toda hora, chove rapidamente, abre o sol. À tarde venta muito, apesar do calor. De novembro a março o calor é bem mais forte, chove o dia inteiro e não venta. Aí o Danilo pergunta.... E quando é a melhor época de se vir aqui???? Agora, responde ele... É assim mesmo, vento, chuva, sol e calor. Isso é Marajó! O café da manhã teve novidades. Frutas, poucos pães, bolos, ovos, presunto cortado em fatias muito grossas, muçarela de búfala, tapioquinha com manteiga ou leite de coco, salsichas, manteiga e mingau de tapioca para alegria e entusiasmo do Jodauro. Eu não conhecia e achei uma delícia. Os ninhos do pássaro tecelão, lá chamado de japiin estão pendurados lá no alto do coqueiro. Um deles caiu e está bem na entrada da Pousada para que possamos admirar esse misterioso saber de passarinho.




Às nove horas a van da Mururé veio nos buscar. O guia Ezequias nos deu algumas explicações sobre a história da Ilha de Marajó de forma bastante didática e demonstrando muito conhecimento. Depois, conversando com ele, ficamos sabendo que se formou em letras, fala alemão e francês, morou na Alemanha e atende turistas estrangeiros em visita à ilha. Passamos pelo centro de Salvaterra, fotografamos a igrejinha de 1911, a pracinha e os carneiros marajoaras - sem lã - que circulavam em bandos pela ruas. O lixo é visto por toda a cidade. Poucas pessoas circulando e o comércio fechado mostra que hoje é mesmo domingo. Embarcamos num barco típico aqui da região, chamado popopó. Um boné arrancado pelo vento foi puxado com uma vara de dentro d'água e devolvido ao dono.
O motor descoberto me fez lembrar das notícias dos inúmeros escalpelamentos provocados pela roda que se enrosca nos cabelos de quem, desavisadamente, se aproxima sem se dar conta do perigo...
O madeirame comprometido, teto muito baixo, um banco de cada lado e alguma dificuldade para embarcar. O barco leva aproximadamente 20 pessoas e tivemos a impressão que é a moradia do piloto, sua mulher e da filhinha pequena. Armário, brinquedos, cama.... Mesmo com barulho intenso do motor, a conversa correu solta. Uma das mulheres perdeu um brinco, logo resgatado pelos amigos... O passeio fluvial pelo rio Paracauari durou aproximadamente uma hora.
A largura do rio e a quantidade de água nessa região são absolutamente impressionantes. As grandes árvores com as raízes à mostra, os barrancos altos, as casas simples dos ribeirinhos e o movimento das embarcações atraem nossa atenção. Cada tipo de barco tem um nome. O nosso é chamado bote ou popopó, os menores rabeira, e assim por diante. Ao longe avistamos a balsa empurrada pelo rebocador até o lado de Soure. Também vimos os currais, que são grandes cercados de bambu, onde os peixes entram e depois não conseguem sair, sendo então capturados pelos pescadores.
Desembarcamos no mesmo ponto do embarque, porém com a maré mais baixa foi um pouco mais difícil. Um dos passageiros, muito solícito pegou no meu braço para ajudar a desembarcar e deixou ali uma mancha roxa, mostrando toda a força da solidariedade humana... Novamente na van, seguimos até a pousada para apanharmos um casal e seguimos pra Vila de Joanes, há 20km de Salvaterra, por uma estrada estreita e esburacada, mas asfaltada.
A antiga vila, a igrejinha datada de 1911 e as ruínas estão no alto.
Lá em baixo, as águas revoltas e as praias cobertas de pedras escuras compõem uma bela paisagem! Segundo alguns historiadores foi na Vila de Joanes que desembarcou o Vicente Yãnes Pinzon, o navegador espanhol que ali aportou antes de 1500. As ruínas das primeiras construções em pedra e óleo de Gurijuba (um peixe da região) são de 1617, bem no alto do vilarejo.
A van desceu alguns metros e chegamos à Praia de Joanes. Imensa! Uma grande faixa de areia que se estende por quilômetros. Até agora foi a praia mais movimentada que vimos por aqui. Cadeiras e mesinhas espalhadas pela areia e uma multidão de gente simples aproveitando o domingo. Famílias inteiras com panelas de comida, cerveja e pacotinhos de chips para as crianças. A chuva que se anunciava caiu... Ficamos abrigados em um bar por algus minutos e logo retornamos à pousada.
Almoçamos, trocamos as impressões dessa manhã cheia de novidades e fomos descansar um pouco. Acordei com a Catarina me chamando pra a praia. E lá fomos nós... O vento quase nos jogava no chão. As ondas fortes e a maré alta atraíram os bombeiros para a praia. Os búfalos dando um show à parte, dobrando os joelhos e se abaixando pra que as crianças os montasse. Isso só se vê em Marajó!
O final do dia foi de cerveja Cerpa, conversas e tranquilidade. E um belíssimo jantar, não posso deixar de dizer.... Amanhã estaremos de volta a Belém.