segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tudo pela Ciência

Esse boxer de 4 meses é o vilão da história. Prestem atenção na cara de inocente que ele tem.
O nome é Rocky. Rocky Balboa.


Meu filho mais novo, em nome do seu grande amor pela ciência vem trabalhando fervorosamente na sua tese de doutorado. É ornitólogo e vive às voltas com passarinhos, passarinheiros e afins. Em julho fez uma penosa viagem de ônibus até Palmas, capital do Tocantins para participar de um congresso e de lá partiu rumo ao Parque Estadual do Cantão localizado em Caseara (TO). Fica logo ali, ao norte da Ilha do Bananal, no Rio Araguaia.
Conseguiu a licença junto aos órgãos competentes e coletou - na linguagem popular matou - alguns espécimes raros, que trouxe para dar continuidade aos seus estudos e pesquisas. Na viagem de volta ainda passou por cerrados brasilienses onde também coletou outros.
Logo que chegou a BH, preparou o material que ia precisar para o trabalho de taxidermia, colocou a pele de sete passarinhos de molho em um balde com água (é o processo de hidratação das peles) e foi até o computador verificar uns dados necessários para a etiquetagem.
Era exatamente isso que o famigerado filhote de boxer estava esperando.
Em menos de três minutos o Leo já estava vendo o balde jogado no chão, água pra todo lado e o cachorro com a boca cheia de penas.Era o rabo do mais raro, aparecendo entre os dentes do meliante. Correu atrás do bicho, que é muito rápido. Conseguiu finalmente agarrá-lo e abrir a boca do dito cujo. Só resquícios de peninhas escuras. Desesperado, sacudiu o cachorro, virou o pobre de cabeça pra baixo, pulou, tornou a sacudir. -Devolve meus bichos, seu miserável!!!! Lembrou que água morna com sal provoca vômito. Colocou um copo no microondas, adicionou sal e despejou goela abaixo do cachorro. Nada. saiu atrás da veterinária que fica há uns três quarteirões aqui de casa, explicou o caso em rápidas palavras e exigiu que ela indicasse um vomitório de ação imediata. Ela relutou um pouco. Afinal o bichinho é ainda um filhote. Mas acabou cedendo à pressão. Corre na farmácia, pega um vidro de água oxigenada e em poucos minutos já está despejando garganta abaixo do fdp . -Devolve meus bichos, desgraçado! Em questão de minutos o cachorro fez como aves de rapina. Regurgitou um bolo de penas e espuma mal cheiroso que foi mediatamente remexido em busca do tesouro perdido. Caprichosamente, lavados, secos e remontados minuciosamente ainda salvaram-se 3 passarinhos: dois coletados próximo a Brasília e um no distante Tocantins. Esses vão para o Museu de Ornitologia da UFMG.
Só não sei se nas etiquetas estará constando que estiveram por algum tempo dentro da barriga do Rocky. Acho que deveria.


Dos sete passarinhos o cachorro engoliu cinco e o Leo conseguiu salvar três, contribuindo assim para o progresso da ciência.




3 comentários:

Felipe Tavares disse...

hahahah Mto boa a história!! Mas fala a verdade, com uma carinha dessa é impossível deixar de amar esse Rocky! Mesmo depois dessa pérola!! bjos

Grá Esteves disse...

Caracas tia!!!
Fiquei "beige" com esta história!!!
hahah. Ai, só o Leo mesmo.
Vcs não estão mais acostumados com as estrepolias dos filhotes caninos, né?
Nossa Maluzinha tb faz um terror aqui em casa, mas é só alegria!!!
Beijo pra vcs.
Obs: vc enocntrou o texto do lixão nos seus arquivos? Eu perdi mesmo.

soraya disse...

Ah Ju, só vc mesmo para escrever esta proeza do seu cãozinho.... Imagino o desepero do Léo daquele tamaninho correndo atrás de algo para fazer o filhote vomitar as penas...Hehehehe. Após o susto deve ter sido hilário lembrar do fato. Beijos pra vc e fala com o Léo pra colocar o balde no alto da próxima vez...