quinta-feira, 11 de julho de 2013

VIAGEM A EUROPA - 2013

  VIAGEM À  EUROPA - 2013 - PARIS - NUREMBERG - FRANKFURT - PRAGA - KARLOVY VARY BUDAPESTE - VIENA - LISBOA - FÁTIMA - ÓBIDOS - NAZARÉ - BATALHA - CASCAIS - ESTORIL

"Viajar é levar a alma pra passear."

Perto da aposentadoria, eu e meu marido combinamos que faríamos uma boa viagem a cada ano, para esperar com resignação o dia de finalmente parar de vez...
Nosso  plano inicial era um Cruzeiro Fluvial pelo Rio Danúbio, mas ao pesquisar folhetos, blogs de viagem, revistas, cadernos de turismo dos jornais  e ter uma conversa com a nossa competente agente de viagem, desistimos.
 Desistimos porque o programa me pareceu "europeu demais" para quem, como nós,  curte os grandes navios, com muitos shows, festas, grandes jantares.  No cruzeiro em questão  tudo é muito calmo, muito clássico, muito "europeu"... E foi a nossa sorte. Ao optarmos por um pacote rodoviário, saindo de Paris, não vimos nossa tão sonhada viagem  ser frustrada pelas intensas chuvas que atingiram a região, enchendo rios importantes, como o Vltava, também chamado de Rio Moldava, que corta toda a região da Boêmia, indo desaguar no Rio Elba; o Rio Reno que atravessa a Europa de norte a sul e o Danúbio, segundo  rio mais longo da Europa. Essas cheias fora de época inviabilizaram a navegação, exatamente na época para a qual  havíamos planejado estar na região afetada.
Viagem resolvida, convidamos os amigos Sheila e Élcio, para nos acompanhar, uma vez que adoram "correr mundo". Já atravessamos o Atlântico no Costa Fortuna e  corremos a Itália de norte a sul. Maravilhosa viagem feita em 2012.
Tudo combinado, alterações em certos roteiros, opcionais resolvidos... Vamos nós..

Primeiro dia
Saímos de BH  rumo à Lisboa e com conexão para o aeroporto de Orly. Paris nos aguardava com céu nublado, mas antes do receptivo da Special Tours chegar ao destino, o sol já nos saudava. O Novotel fica na estação Galienni, do Metrô. Mais ou menos meia hora do centro nervoso da capital francesa. Um tanto afastado, mas como em Paris " longe é um lugar que não existe" devido às excelentes condições de transporte de massa, transitamos sem nenhum problema.  E como transitamos!... A otimização do tempo é umas das especialidades da Sheila Maria. Nada de ficar o hotel, trocar de roupa, tomar banho.... Pra quê? Paris nos aguarda. Depois do check-in, malas no quarto, lavar mãos e rosto, escovar os dentes, colocar documentos e dinheiro no cofre e em meia hora, mapa na mão,  já estávamos dentro do Metrô, rumo à Place Du Trocadero... 




Lá estava, imponente, a Dama de Ferro. O céu azul não deixava dúvidas. Mesmo com as notícias de tempo ruim em Paris, nosso "pacote" não incluía chuva.... E assim será... Claro!
Ficamos ali, respirando ares parisienses, admirando a arquitetura, as fontes, os milhares de turistas, os artistas de rua, o sol que, apesar da hora - já passava das 19:30h - teimava em estar alto.
 A Praça do Trocadero fica numa colina chamada Chaillot e, literalmente se abre, sobre a esplanada dos Direitos Humanos, de onde a vista é estonteante. A Torre Eiffel,  os grandes museus e colunas majestosas, jardins imensos, fontes, cúpulas ... Paris estava ali, pronta  a ser explorada, mas o cansaço da viagem e o jet lag começavam a nos vencer. 




Atravessamos, passo a passo a avenida e nos sentamos no Café Kleber. A euforia por estarmos em Paris foi grande. Copos e copos de uma boa cerveja, os magníficos queijos franceses, pão não mais que perfeito, carne, salada e batatas. E uma conta astronômica! Afinal, estávamos na Place Du Trocadero, número 4. Nada menos que isso.  Mais meia hora de Metrô até Gallieni e logo o sono nos venceu. Amanhã cedo temos um City Tour panorâmico.

Segundo dia
O Novotel é muito bom, confortável e com uma característica diferente de todos os hotéis em que estivemos. A privada fica separada do "banheiro" propriamente dito. Um cubículo minúsculo. O porquê disso, ninguém soube nos explicar. O café maravilhoso, com tudo que um turista, que vai andar o dia inteiro,  merece e tem direito!
O guia da Special Tours, Juan, espanhol não muito simpático,  mas atencioso, se apresentou e também a guia local que nos acompanharia no tour panorâmico. Silvia foi nos mostrando Paris de forma leve e descontraída. O cemitério Père Lachaise, fica bem próximo ao hotel. É maior e mais famoso cemitério de Paris e onde estão enterradas personalidades como Balzac, Molière, Edith Piaf, Jim Morrisson, Allan Kardec, Maria Callas, Proust e tantos outros. Quase um bosque, bem cuidado, com flores se derramando sobre os muros. Sei que a arte cemiterial, ou tumular,  ali é atração para turistas de todo o mundo. Mas vai ficar para uma próxima vez. Paris é inesgotável!





Os monumentos, bulevares, parques, igrejas, praças e jardins vão se sucedendo e nos encantando. O Sena, as pontes, o trânsito intenso e os parisienses e turistas aproveitando o sol da manhã. Vimos também um  dos hotéis mais caros de Paris, o Shangri-lá que tem diárias a partir de mil e quinhentos Euros. Não é a nossa realidade... Sabemos disso.

Uma  parada técnica na Praça Vouban e continuamos nosso passeio. Um casal de meninas fotografadas. O casamento gay em Paris é recente... e polêmico. Ao longe já avistamos a Torre Eiffel e lá paramos mais uma vez. 

As filas gigantescas não são muito atraentes para quem já subiu a torre e viu Paris lá de cima. A Avenue des Champs-Èlisèes é a mais famosa avenida de Paris e talvez do mundo, com suas lojas de grife,  de especialidades luxuosas, cafés, restaurantes e as árvores que a cada estação transformam completamente  seu visual.
A praça da Concórdia e o monumental obelisco de Luxor, a ponte Alexandre III com querubins, ninfas e cavalos alados, dourados e reluzindo ao sol,  o Museu do Exército, Notre Dame, Les Invalides...




Nosso tour terminou no Museu do Louvre. Optamos por vê-lo por fora, pois já estivemos em seus intermináveis e preciosos salões. São 38 mil obras, mais de 350 mil itens e dez anos serão necessários para visitá-lo minuciosamente. A Pirâmide de aço e cristal, projetada pelo arquiteto sino-americanos Ming-Pei estava abarrotada de pessoas batendo fotos, comendo, comprando.... Resolvemos sair dali e ir para um lugar mais tranquilo.



Andamos bastante, ali pela margens do Sena, observando o movimento, os livreiros organizando as banquinhas de madeira abarrotadas de livros velhos, gravuras e pequenos objetos. Resolvemos visitar o Museu d'Orsay, não muito longe de onde estávamos, paramos para uma cerveja e um xixi, no Café-Brasserie La Frégate  e seguimos em frente.


O Museu d'Orsay funciona numa antiga estação de trens, na margem esquerda do Rio Sena, desde 1977. Ela foi adaptada e hoje abriga um acervo importante de pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, mobiliário e objetos. Monet, Manet, Degas, Matisse, Cèzanne e muitos outros ali estão para serem admirados pelos milhares de visitantes que circulam por este museu todos os anos.  Andamos  por todos os imensos salões, galerias e corredores, descemos e subimos escadas, nos encantamos com a beleza, a arte e a arquitetura única dessa estação de trens que se transformou em dos museus mais famosos do mundo.

Sheila, com sua "poliglotia" absurdamente competente, conseguiu informações sobre como chegar até os jardins de Luxemburgo. Descansamos um pouco, almoçamos uma bela salada com carne e a indispensável cerveja, trocamos impressões sobre Paris e os parisienses e seguimos de Metrô para nosso destino.




Os Jardins circundam todo o Palácio de Luxemburgo, onde hoje funciona o Senado da França. São mais de 25 hectares de jardins simétricos e luxuriantes, gramados extensos, onde o parisiense relaxa ao sol e caminha pelas grandes alamedas de pedriscos e areia clara, lagos, estátuas, fontes, escadarias, cadeiras para quem quiser descansar e curtir o visual  e  árvores centenárias. Nos gigantescos vasos, palmeiras e árvores frutíferas carregadas de frutos maduros. Encantados, ficamos por ali observando os moradores da cidade se esbaldarem ao sol, as crianças brincando com barquinhos de controle remoto no lago rodeado de flores e esculturas, pessoas elegantemente vestidas atravessando o parque. Sentamos à sombra de um grande plátano, onde os passarinhos faziam uma festa. O plátano é uma árvore comum pelas ruas e praças de Paris, uma vez que resiste bravamente aos invernos rigorosos.
Com toda certeza os Jardins de Luxemburgo devem fazer parte de um roteiro dos mais bonitos de Paris.

Sabíamos que o Edifício Montparnasse ficava ali perto e visualizamos o grande prédio. Saímos em sua direção, mas nos desviamos um pouco e acabamos nos perdendo.

 Andamos muito tempo e, cansados resolvemos dar uma pausa para o sorvete do Amorino. Delicioso! E o jeito de colocarem o sorvete na casquinha é quase artístico. Formam flores coloridas de maneira única, com a massa macia e saborosa. Caramelo, café, limão siciliano, pistache... Difícil  decidir. Qual  sabor você vai querer?...
Com algumas informações conseguimos finalmente ver de novo o Montparnasse e, atravessando a famosa Galeria Lafayete, chegamos  finalmente.
Compramos o ingresso, recebemos o plano de visitação e subimos de elevador os 56 andares até o primeiro terraço. Pelos enormes vãos livres e com as telas interativas vamos descobrindo a cidade monumento por monumento, praça por praça, avenida por avenida... A vista é deslumbrante. O prédio foi construído entre 1960 e 1972 e é o prédio mais alto da França. Um bar e uma pequena loja também funcionam ali.



Subimos 75 degraus e ganhamos o topo do prédio. Ninguém conseguia falar de tão cansados. A vista de 360º é indescritível! Paris a seus pés, o sol já com preguiça, pois  passava das 20:00h e  nós sem hora marcada, sem pressa, podendo desfrutar daquilo tudo pelo tempo que bem desejássemos!
Fomos descendo as escadas devagarinho, no elevador quase não nos falamos. O impacto do Montparnasse foi grande. E lindo! E magnífico! E tudo ...



No Boulevard du Montparnasse dezenas de cafés e bistrôs convidativos. Cheios de gente bonita e barulhenta. Optamos pelo Indiana Café, e meio apertados, conseguimos uma mesinha pra quatro. A garçonete Ana, lisboeta e estudante de Letras na Sorbonne, nos serviu com prazer e alegria. Comemos uma comidinha mexicana e bebemos mais cerveja pra comemorar nosso segundo dia na Cidade Luz, que, àquela hora já se mostrava iluminada.



Amanhã é nosso último dia na cidade mais romântica do mundo. Vamos até Versailles. Dispensamos o pacote. Vamos por nossa conta e risco.

Terceiro dia

Croissants, sucos, iogurtes, cerejas frescas, café expresso, pão francês - naturalmente -  e vários e bons queijos, geleias e sucos. Claro que um croissant com camembert é obrigatório em Paris. Muito bom pra começar esse dia que promete!
Já estivemos em Versailles no final da década de noventa, mas queríamos rever esse cantinho tão especial da França..
 Pegamos o Metrô em direção à Gare du Nord onde embarcamos no trem em direção à Versailles. Conversa vai, conversa vem e nada de chegar. Um funcionário veio até nós dizendo que era o fim da linha e descobrimos que, literalmente, "pegamos o trem errado". Refizemos o percurso e na Gare, a Sheila, no seu português claríssimo, solicitou as informações à um guarda acompanhado de um enorme cão com focinheira, que nos explicasse como chegar até o Castelo. Olhou pra ela com cara de quem olha uma paisagem, pensou um pouco, ouviu a palavra Versailles, nos levou até um painel eletrônico e, através de gestos, nos mostrou o caminho correto. Mudamos de plataforma, pegamos outro trem e partimos...

A cidade de Versailles mudou muito. Está cheia de restaurantes, ambulantes, lojas de souvenirs.   
Nos ofereceram um transporte para o Castelo em um "trenzinho" branco e dourado, por 2 Euros. E acreditamos que nos deixariam na porta do Castelo ... Qual o quê! Poucos minutos depois, nos deixaram numa rua próximo à entrada de Versailhes. Ficamos indignados, mas de nada valeu. Turista mal informado paga caro .... Não há necessidade de transporte. A Estação do trem fica a uns dez minutos do Palácio. Não me lembrava disso.




De 1682 a 1789 Versailles foi a sede da Monarquia Absoluta e reflete em seu luxo e ostentação a concepção de poder do Rei-Sol. O poder emana do Rei! E Luís XIV sabe disso. Os números são impressionantes. São 2700 dependências, 2.143 janelas, 67 escadarias, 13 hectares de telhados, 3 palácios....



 E mais.  Capela, ópera, apartamentos luxuosos, gabinetes requintados, salas temáticas, rica pinacoteca, cavalariças, tetos com afrescos preciosos, salões magníficos. Isso tudo sem falar nos jardins à francesa, nos bosques, no Trianon e nos campos de caça.




Os jardins monumentais contam com 830 hectares de terra, 20 Km de estradas, mais 20 Km de muros e cercas, 350 mil árvores,  flores harmoniosamente dispostas em quilômetros de canteiros, fontes com dragões, anjos, cavalos alados, peixes dourados, lagos, pomares, cascatas, alamedas...
Andamos calmamente pelos corredores e salões fazendo o circuito dos apartamentos, nos extasiando diante de tanto luxo, tanta arte, tanto fausto. Depois de horas, resolvemos ver um pouco dos gigantescos jardins. Optamos por um carrinho elétrico e depois de mais de uma hora de fila, desistimos. Sentamos numa das escadarias enquanto a Sheila foi sozinha, desfrutar um pouco de toda aquela beleza. O calor forte e o cansaço acumulado nos deixou mais como expectadores, ouvindo um belo concerto nos Jardins Reais.



 Já à tardinha, exaustos e felizes pela possibilidade de estarmos vivenciando a história, voltamos calmamente entre uma alameda de plátanos até o Café Saint Claire, onde comemos e nos reabastecemos da ótima  cerveja Amstel. Os queijos, as saladas e a carne não podiam estar melhores. A pasta à Carbonara trouxe a surpresa de uma gema crua sobre a massa. Viva a cozinha francesa!Vive la France!
Um casal de franceses moradores da cidade, bem ao nosso lado, acabou rindo das nossas brincadeiras e risadas e conversamos animadamente. Pediram a conta 3 vezes e acabavam desistindo, pedindo um café, depois um suco, um sorvete... E foram ficando até irmos embora.

Indo em direção à Estação de Trens, passamos rapidamente por uma feira de coisas usadas, onde se via de tudo, roupas, calçados objetos, antiguidades e muito "cacareco". Me chamou a atenção, os preciosos copos e taças de cristal da Boêmia e alguns pequenos  fósseis de trilobita e caracóis, vendidos livremente. Fiquei com vontade de comprar um deles, mas se me pegam no aeroporto vai dar em todos os jornais que eu estaria contrabandeando peças de museus. Melhor não!



Agora acertamos direitinho. Logo estávamos em Paris e decidimos pegar o Metrô até a estação da Ópera de Paris. Ali, bem no centro da capital francesa, o sol já se pondo, sentamos num café - Le Belais Paris Ópera -  bem ao lado do prédio suntuoso da Ópera de Paris.  Fiquei curiosa com a cerveja vermelha na mesa vizinha e o garçom  explicou que era uma mistura de soda, cerveja e Grenadine - um xarope de romã. Resolvemos pedir um para experimentar e achamos horrível! Doce demais, enjoativo, parecendo mais uma groselha. Horroroso! Melhor mesmo a água San Pellegrinno.
Ali pertinho pegamos Metrô e voltamos ao hotel. O tico-tico no fubá, tocado por um músico dentro do nosso vagão levou a Sheila a dançar com o Élcio para espanto geral dos passageiros. E depois, entusiasmado, o rapaz se acabando no acordeon,  cantou Michel Teló... Ai, seu te pego! Delícia! Ganhou um Euro!
Anoiteceu e nos despedimos de Paris em meio à um frio que chegou com algumas nuvens ameaçadoras. Meu pé incomodando muito. Só no hotel descobri uma enorme bolha no dedão. Nada que um band-aid e uma almofadinha de algodão não resolvam. Agora é dormir um pouco, que amanhã vamos partir logo cedo.

Quarto dia 

 Café da manhã, croissants, camembert e expresso. 7:30h todos os 32 passageiros, argentinos, chilenos, um irlandês e muitos brasileiros,  já estavam a bordo do confortável ônibus da Special Tours, com o guia Juan.
As auto estradas europeias são bem diferentes das nossas. E bem mais caras.  Até às 11:00h já havíamos passado por 3 pedágios. A região de Campagne-Ardenes  nos apresentou uma  paisagem monótona, de planícies infindas, cultivadas caprichosamente. Os campo amarelos de colza e mostarda, o gado bovino, os carneiros, os rolos de feno espalhados sobre o verde.

Por volta das 13:00h passamos pela fronteira de Luxemburgo, um dos menores países do mundo, com apenas 2.500 Km2, onde o dinheiro é  farto e sua população não passa de meio milhão de habitantes. Luxemburgo é um paraíso fiscal e a renda per capta é uma das maiores do mundo. Lá, os habitantes quase não pagam impostos. Está situado entre a Alemanha, França e Bélgica.
 A chuva fina,  o frio e a suave neblina nos preocupavam pois, o tempo todo o guia fazia contatos com o barco que nos levaria pelo Rio Reno e nos alertava que não poderia garantir nosso embarque se o rio continuasse "crescendo".
Finalmente a boa notícia. Nosso barco, o Loreley Star iria sair. Atravessamos a cidade alemã de Boppard, à beira do Reno e logo, debaixo de um chuvisco frio, subimos a bordo.





O Reno estava realmente muito cheio. É um rio poderoso, de fortes correntezas e redemoinhos. Há dois mil anos foi a fronteira do Império Romano. Ele nasce nos Alpes suíços e tem grande importância comercial, pois é navegável em quase todos os seus 1.200Km de comprimento. O Reno corta a Europa  de sul a norte, atravessando seis países..
Entramos em uma fila para pegarmos comes e bebes, enquanto o Élcio segurava uma mesa para nós no segundo piso do Lorelay Star. Costeletas, salsichões, batatas, saladas e canecões de cerveja. E o barco nos levando suavemente sobre as águas barrentas do rio, entre vinhedos da região da Renânia, castelos, casas típicas da Alemanha, igrejinhas, jardins bem cuidados e uma leve neblina embaçando nossas fotos. Mas o frio deu uma trégua e parece que teremos bom tempo, como estava previsto no nosso pacote. O tempo no barco passou rápido. Tanta coisa pra se ver, castelos, lendas, história...
Voltamos ao porto de embarque e antes de  seguirmos viagem até Frankfurt, ainda deu tempo de comer um   apfelstrudel  delicioso, macio e com chantily perfumado com baunilha.
A primeira vez que estivemos na Alemanha ficamos impressionados com a rispidez dos locais. Agora, tudo está bem diferente. Nos tratam com gentileza e urbanidade. Reflexos da Copa do Mundo.
Frankfurt é capital financeira da Alemanha e uma bela cidade, com prédios lindíssimos, modernos, arrojados...







Atravessamos a cidade, sentindo aquele clima de organização e prosperidade até chegarmos a um lugar absolutamente incrível:-  A  Römerberg, ou Praça Römmer  que fica bem no centro de Frankfurt e é um conjunto de casas históricas dos séculos XV e XVII e que foram fielmente reconstruídas, depois do terrível bombardeio de Março de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Um verdadeiro mergulho no tempo. Bares, lojas de souvenirs, igrejas, museus... tudo absolutamente lindo.  Flores nas janelas e espalhadas nas mesas dos bares, esculturas, monumentos... Um lugar encantador!
 Na hora estipulada pela guia Carolina,  voltamos ao ônibus nos prometendo que voltaríamos lá à noite. O Hotel Holliday Inn fica na parte sul da cidade, bem longe do centro, mas próximo a uma estação do Metrô.

O quarto tem uma vista linda, muito verde e uma igreja, bem em frente. Percebi um cemitério, ao lado da igreja e fiquei curiosa com o tipo de túmulos. A Sheila não nos deu folga. Meia para a rotina estabelecida por ela.  Banho a gente toma à noite! Foram as ordens dada. E cumpridas  fielmente.
Eu e ela atravessamos a avenida e tentamos entrar na igreja, mas já estava fechada.


 Começava a escurecer e resolvemos descobrir uma entrada para o tal cemitério. Entramos entre um belo e extenso bosque de coníferas descobrindo que aquele não é um cemitério comum. Túmulos pequenos, totalmente ajardinados, com lanterninhas coloridas, e pequenos mimos, como sapinhos, borboletas coloridas, joaninhas.... Tudo delicado e muito lindo. Fotografamos um pouco, Danilo e Élcio vieram à nossa procura e também entraram para ver. Não conseguimos descobrir o nome e o porquê de tanta boniteza.... Não é um cemitério muito pequeno e pelas datas, nas lápides, é bem antigo. Na hora de sair já haviam fechado o portão, mas há um sistema de catracas que dá para pessoas saírem sem, no entanto, permitir a entrada. UFA!
Mais uma vez a nossa poliglota de plantão conseguiu, falando em bom português, saber que os taxistas trabalham durante toda à noite e pediu ao motorista turco que nos levasse à Praça Römmel.  Ela se faz entender em qualquer idioma. Um espanto!


As luzes começavam a se acender quando chegamos à praça. Mas ainda havia claridade suficiente para uma voltinha. Há obras no entorno e os tapumes não nos permitiram chegar até uma igreja próxima. O lugar é lindo de verdade. A arquitetura preservada pela reconstrução  é fantástica!
Salsichas, muitas salsichas  deliciosas, cerveja alemã e muita conversa até bem tarde. Novamente um táxi nos levou de volta ao Hotel. E aí, pensando que ainda teremos tantos dias pela frente,   ficamos deveras entusiasmados.

Quinto dia

Logo que chegamos ao  salão onde o café da manhã é servido, já vimos a diferença. Em vez de queijos, os salsichões e embutidos de todas as cores, pães pretos e integrais no lugar dos croissants, muitos tipos de massas folhadas recheadas com frutas como damasco, frutas vermelhas e maçãs. Frutas secas, geleias, iogurtes e as fantásticas máquinas de café, onde podemos apertar um botão e nos servir de um expresso, chocolate, café com leite ou machiatto.  Ficamos ali fazendo planos para o dia chuvoso. Vamos ver se não vai dar problema....
230 quilômetros e 2:40h depois, pelas irrepreensíveis estradas alemãs. Na parada técnica vimos três imensas carretas transportando hélices eólicas. Gigantescas. Mais à frente, veríamos os parques eólicos em vários pontos das estradas. E as grandes usinas de distribuição de eletricidade.  
Chegamos a Nuremberg debaixo de uma chuva fria e persistente. Colocamos nossas capas  ouvindo as explanações da guia. Carolina que fala muito rápido e em espanhol não tão claro. As informações saem aos borbotões e há horas em que os de língua portuguesa ficam meio perdidos. Mas aos poucos vamos nos entendendo.
Nuremberg conserva o ambiente medieval em suas ruas e fachadas, apesar de ter sido duramente bombardeada pelos aliados na segunda Guerra Mundial.  Depois do célebre julgamento dos criminosos nazistas, Nuremberg é a " Cidade da Paz e dos Direitos Humanos".
A grande Praça do Mercado, apesar da chuva, estava apinhada de turistas.  Uma feira com legumes frescos e frutas de cores vibrantes estavam expostas, mas o movimento de compradores locais era pequeno por causa da chuva. Flores lindas enfeitavam outras barracas.
A bela Igreja de Nossa Senhora - -Frauenkirche -  com seu famoso relógio mecânico  "Männleinlaufen"-,  a arquitetura típica  reconstruída meticulosamente, a fonte dourada cheia de detalhes curiosos - Schöner brunner- nos surpreenderam. Passeamos entre as bancas, entramos na Igreja e voltamos à praça para admirarmos as figuras do relógio passearem diante das centenas de turistas, quando soaram as 12 badaladas, exatamente ao meio-dia. Muito interessante.
Saímos, de capa, enfrentando o frio, pelas ruas antigas, observando o movimento dos visitantes, as lojas atraentes, o rio muito cheio, as pontes, os afrescos de alguns prédios,  os bares e restaurantes. Optamos pelo Provenza, onde almoçamos muito bem, rodeados de brasileiros turistando pela Europa! Um tinto alemão ajudou bastante a voltarmos àquela praça maravilhosa. Tínhamos mesmo de seguir viagem.
Antes porém, não resisti e entrei na Käthe Wohlfahrt, uma tradicional loja alemã de artigos natalinos, bem no centro de Nuremberg. Que tentação! Objetos preciosos, de altíssimo preço, e detalhes incríveis.  Fiquei namorando as fotos da fábrica, o jeito artesanal de se fazer cada pequeno objeto, as árvores natalinas, os enfeites, cartões....  Tudo maravilhoso! Compras? Só um globo de neve de 3 centímetros no valor de 30 Euros. Realmente, não é pra quem ganha em Real.
Agora é rumar até Praga. A chuva não nos atrapalhou, mas tem de parar logo, se não eu não pago o pacote...
Depois de quase 4:00h de viagem, percorrendo os 298Km que nos separam de Praga, estávamos cansados. Mas a chuva parece que vai dar uma trégua.




Fomos direto para o Hotel Clarion Congress, que fica dentro da Galeria Fenix, com um shopping,  praça de alimentação e também é possível pegar o Metrô,  passando por uma porta que sai direto dentro de uma das Estações, a VYSOCANSKA, da linha amarela.
A recepção é enorme e o movimento de hóspedes de todas as nacionalidades transformam o espaço em uma verdadeira Torre de Babel! Orientais, latinos, europeus, indianos, muçulmanos e árabes. O mundo se encontra no Clarion! Um time de basquete circulava por ali, uniformizados e sob a severa supervisão dos técnicos. Jovens gigantes e muito bonitos.
O jantar já estava incluso e foi uma surpresa. Saladas variadas de nabos, ovos, batatas, carnes ao molho de pimentões vermelhos,  cebolas assadas, beterrabas raladas e carameladas, massas, embutidos e muito mais. Difícil escolher. Saborosa e atraente, a comida Tcheca é muito diferente do que eu imaginava. A cerveja é considerada uma das melhores do mundo. E com razão.
O quarto bastante amplo, com bons armários, edredons macios e uma chaleira elétrica com café solúvel e vários tipos de chá disponível. Um luxo!

Sexto dia

Acordamos cedo, o dia claro e ensolarado confirmou nossa disposição de não viajar com chuva.
 O imenso salão do Clarion, fervilhava de pessoas de todo o mundo, e o café da manhã procurava atender a todos, sem distinção: saladas de tomate, alface e muito pepino, pães de todas as cores e sabores, ovos preparados de 5 ou 6 maneiras diferentes, tortas, folhados, iogurtes, panquecas, frutas frescas e secas, carnes, sopas, missô, macarrão, feijões, sucos coloridos, peixes, linguiças, embutidos de vários tipos, linguiças, salsichas e salsichões.... Uma verdadeira orgia gastronômica.
Observando os pratos das pessoas vi um sujeito enorme, vermelho e lour, colocar sobre uma quantidade enorme de macarrão, 2 linguiças gigantes e 6 ovos fritos. Horrorizei! E eram 7:30h ....
Todos no ônibus e a guia local foi apresentada. Agitada e falante, estressada e conhecedora da história Tcheca.  O ônibus, para minha surpresa, entrou no estacionamento coberto  do hotel e ali manobrou com a maior facilidade, uma vez que  a área do lugar é gigantesca. E muitos ônibus já estavam estacionados ali.

 Seguimos admirando a cidade sob o sol claro e o calor que já se fazia presente.  Paramos defronte à Universidade de Praga. Os ônibus não podem circular  na parte mais antiga da cidade.
Os prédios baixos, as torres e cúpulas verdes, restaurantes floridos,  praças, lojas, cervejarias. O teatro de marionetes é uma tradição na República Tcheca e as lojas de bonecos estão por toda a cidade. E as bruxas também.... A moeda é a Coroa CZK , que o Élcio resolveu  chamar de Cazaquistão. Em alguns estabelecimentos o Euro é aceito como forma de pagamento, mas é tudo bastante caro, visto a CZK ser bem desvalorizada perante a moeda europeia.



A Ponte Carlos é um dos lugares mais visitados de Praga e considerada uma das mais bonitas do mundo.  É a ponte mais velha da cidade e atravessa o Rio Vltava ou Moldávia. O Rio estava extremamente cheio, os redemoinhos e a força da água eram assustadores e a navegação estava suspensa há dias.  A construção da Ponte começou em 1357 a pedido do Rei Carlos IV e só foi terminada em princípios do século XV. Ela tem 516 metros de comprimento e 10 de largura. São mais de 30 estátuas de santos e de cenas religiosas, esculpidas em arenito, as lanternas e a beleza, de um lado e de outro da ponte, encantam a todos os visitantes. O pórtico é suntuoso, mas não nos animamos a subir as escadarias que levam à torre. O dia hoje promete ser de muitas caminhadas e o melhor é não  arriscar.Vimos vários casais de noivos que vão fotografar na ponte mais romântica do mundo. Não acredito que as fotos fiquem muito bonitas devido à verdadeira multidão ali presente.
Nos encaminhamos para o Relógio Astronômico, pois às 12:00h  poderíamos ver  a caminhada dos doze apóstolos. O Orloj mostra um mostrador astronômico com a posição do sol e da lua, um mostrador calendário e os meses, ou zodíacos. Foi construído em 1410 e é cercado de histórias e lendas.
Uma verdadeira multidão se aglomera diante da parede sul da prefeitura para ver e ouvir o Orloj.
Saímos dali encantados e fomos procurar um lugar para almoçar e descansar um pouco. A dificuldade com a língua é mesmo uma  realidade. As placas, os cardápios, as manchetes do jornais, não esclarecem NADA....



Almoço com uma legítima Pilsner Urquell, considerada uma das melhores cervejas do mundo e a primeira cerveja pilsner do mundo. Salada, carne grelhada, batatas e pé no caminho. Bem ali ao lado do restaurante,  compramos um trdelnik, rolo de massa, enrolado em madeira, assado na brasa  e polvilhado de açúcar. É típico da cidade e tem pra todo lado. Parece pão doce.
 Chegamos à  Praça Wenceslau, considerada uma das maiores da Europa e onde tudo acontece. A agitação de turista, charretes, músicos de rua, guias desesperados procurando os extraviados e uma excelente banda de jazz fez a Sheila se sentir a musa. Dançou de olhos fechados para delírio dos que a observavam.
As comidas eram preparadas ali mesmo, na rua, como os pernis, dourados e suculentos vendidos para serem degustados no pão... Pena que já tínhamos almoçado.
 E fomos em frente numa aventura pela cidade velha. Castelos lindíssimos, a Igreja de São Nicolas e seu assombroso lustre de cristal da Boêmia. A fachada é branca e a cúpula de cobre, que com a oxidação e o tempo se tornou verde é a mais pura expressão barroca. Impressionante!
As lojas de grife, relojoarias, joalherias e restaurantes finos ficam agrupados em uma avenida de nome ilegível.
O Castelo de Praga é uma das construções mais importantes da cidade  e data do século IX, serviu de residência aos reis da Boêmia e hoje, ali funciona o palácio presidencial. É uma área imensa, onde está a Catedral de São Vito, a Torre da Pólvora, o Palácio Real, conventos e outras edificações maravilhosas.
Pode-se passar um dia inteiro ali e não conseguiríamos conhecer todos os detalhes desse fascinante conjunto arquitetônico.
A Catedral de São Vito é a maior igreja Tcheca, foi iniciada em 1834 e só foi terminada em 1929. O estilo gótico é marcante, e lá se encontra o túmulo de São João Nepomuceno e o Mausoléu Real artisticamente trabalhados em 35 quilos de prata do México. Os vitrais contam a história daquela terra gloriosa e sofrida.

A Viela Dourada também fica nessa área do castelo e foi ali  na pequena casa de número 22, onde Kafka escreveu sua obra mais conhecida,  Metamorfose.
De dentro do Palácio de Praga se descortina a cidade em toda sua plenitude. Os telhados vermelhos, contrastando com o verde vibrante das árvores, as cúpulas, o casario... As janelas de onde foram atirados os que deram opinião diferente da dos mandatários. É muita história.
Voltamos, não sem antes da Sheila dar uma merecida bronca na guia que resolveu correr. Depois ela, a guia, pediu desculpas e ficou tudo bem. Teve até beijinho de despedida....
Ainda fomos à Igreja do Menino Jesus de Praga, onde, com surpresa vimos que ali está um altar com uma pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida. Compramos uns souvenirs e retornamos ao hotel. O dia foi muito cansativo, mas valeu a pena. Eu e Sheila fomos usufruir de uma hidromassagem no fitness do shopping, a que todos os hóspedes têm direito. Relaxamos, conversamos muito com um casal de brasileiros, lanchamos no próprio hotel e por volta da meia noite fomos dormir.

Sétimo dia

Dede que saímos do Brasil já estava decidido que iríamos à Karlovy Vary,  que fica  a 120 Km de Praga. É uma cidade balneário, com fontes termais que atraem os ricos e famosos, há séculos. Foi fundada pelo imperador Carlos IV por volta do ano de 1310 e hoje conta com 55 mil habitantes.. A cidade já serviu de cenário para filmes, como Cassino Royale (Daniel Craig) e As Férias de Minha Vida ( Queen Latifah). Lá também acontece um badalado Festival de Cinema.





Karlovy Vary é cidade de gente poderosa e tem peculiaridades como o licor Karlovarská Becherovka, com seus inacreditáveis  38º de teor alcoólico. Os cristais Moser, fabricados ali,  são mundialmente conhecidos e fazem parte da cristaleira da Rainha Elizabeth II e do Rei Juan Carlos, da Espanha. As vitrines são estupendas. A cidade é mesmo a cara da prosperidade e do luxo.
Os hotéis 5 estrelas estão espalhados pelas colinas e o rio cortando a cidade de ponta a ponta estava bastante cheio. Os alemães, que dominaram a cidade por algum tempo, e estão apenas há 35Km dali, não são o maior número de turistas a frequentar o famosos balneário. Os milionários russos é que predominam nas suítes de luxo e que custam uma exorbitância.

Logo que desembarcamos já nos apaixonamos pelo ar sofisticado e ao mesmo tempo simples. Simplicidade sofisticada? Será que isso existe?  O tempo, um pouco nublado, não conseguiu empanar a beleza das ruas de pedestres, as colinas e seus castelos, as cúpulas douradas da Igreja Ortodoxa, os jardins, parques, colunatas... Tudo limpo, perfeito, sem estragos.

 Ficamos livres da guia, tão logo atravessamos o Parque e ela nos mostrar as fontes termais que chegam a 73º graus. A s fontes, cada uma com sua temperatura e indicação terapêutica, ficam sob as  formidáveis e impressionantes colunatas  da Fonte do Moinho e da Colunata da Fonte do Parque, com seu delicado e artístico trabalho em ferro.
Como é bonito esse cantinho da República Tcheca!




A culinária de Karlovy Vary é requintada para atender os exigentes turistas que visitam a cidade. Bistrôs, restaurantes finos e outros mais acessíveis estão por toda parte, enfeitados com cestas de flores, toalhas impecáveis e garçons solícitos.




Ali perto uma ótima cerveja é fabricada com o lúpulo e a cevada que cobrem os campos e que pudemos ver da estrada, na vinda para cá.
Escolhemos o que comer nas fotos mostradas pelos atendentes. Um jeito fácil de se contornar os problemas com as dificuldades imensas da complicada língua Tcheca. Optei por um maravilhoso mix de cogumelos e carne de cordeiro.
Deixamos os maridos tomando a eterna saideira e fomos nos deliciar com os últimos momentos nesse paraíso. A toda hora encontrávamos turistas com uma  canequinha típica do lugar, bebendo as águas termais pelo biquinho da vasilha, como um bule, ou chaleira. Essas canecas são vendidas  em pequenas bancas por toda a cidade.
 Sabíamos onde encontrar a guia, e nos soltamos literalmente, andando pela avenida paralela ao rio, conversando e reconhecendo lugares por onde tínhamos passado, nos deixando levar pela calma e tranquilidade do lugar e ... nos "perdemos". Nada que um bom expresso num charmoso café e uma perguntas em português, para Tchecos bem humorados, não resolvessem nosso problema. Logo encontramos os maridos, sentados em um banco, em meio a flores e crianças, do outro lado do rio. Também ficamos ali, curtindo o parque até a hora de retornarmos à Praga.

Apesar de cansada, não "preguei o olho" na viagem de volta. Os campos cultivados, a importante fábrica da cerveja Krusovice, as pequenas fazendas e sítios,  casas perdidas em meio ao verde, placas pedindo cuidado com os cervos que cruzam a estrada,  indicações de castelos e  bosques de altos pinheiros não me deixaram perceber as quase duas horas até ao hotel.
Precisávamos descansar e dar um jeito nas malas. Às 7:30h deveríamos estar a postos para rumar até à Hungria e não podíamos perder o fabuloso café do Clarion Congress.
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Oitavo dia

Às 7:40h já estávamos dentro do ônibus. São 524 Km até Budapeste.

 Percorrendo a região da Boêmia e da Morávia  nos aproximamos da fronteira com a Eslováquia, que se tornou independente em 1993. Antes formava uma só país com a  República Tcheca, a Tchecoslováquia. Ali a guia desceu com o motorista para comprar a permissão para entrarmos no país. Vários caminhões com armamentos pesados esperavam a tal permissão. Muitos soldados, tanques e um aparato de guerra que não estamos acostumados a ver.  

A capital eslovaca  é Bratislava, que é cortada pelo Rio Danúbio. A estrada, um pouco castigada pelas últimas chuvas já vem sendo rápida e competentemente recuperada.
Somos 42 pessoas no ônibus e que não se entrosaram ainda. O Élcio, sempre implicando com o jeitão, diz ele, "arrogante", dos hermanos.

 As paisagens se repetem. Campos amarelos de mostarda e colza, cereais plantados com esmero, beterrabas, nenhum ser vivente trabalhando nos campos e muitas hélices gigantescas das usinas de energia eólica. Parecem flores descomunais enfeitando o verde contínuo, sempre em movimento.
A moeda na Eslováquia é o Euro, na Hungria o Florim Húngaro, que o Élcio cisma em chamar de "choquito". E foi na Eslováquia, que por volta de 13:00h almoçamos sanduíches enormes de embutidos picantes, queijos deliciosos, mostarda forte e cerveja gelada.
Os canteiros de papoulas vermelhas serviram de desculpas para mais algumas fotos antes de seguirmos viagem até Budapeste.  
A mais da metade dos passageiros ficou no Duo, do lado Buda. Havia doze ônibus de turismo estacionados diante do hotel. Buda a parte da cidade mais montanhosa e onde estão todos os grandes palácios, catedrais e monumentos históricos. Também é de onde se tem a melhor vista da cidade, do rio Danúbio e suas belíssimas pontes, dos telhados vermelhos e da incrível edificação do Parlamento, um primor do estilo neogótico e cartão postal da cidade.
Seguimos para Peste, que é a parte mais plana de Budapeste, a parte mais comercial, com lojas de grifes, restaurantes, pequenas bancas de souvenirs, padarias e confeitarias tentadoras.
Demos sorte e ficamos no mais bem localizado hotel da cidade. O Mercure Korona, que fica na praça Kalvin e Rua Principal, bem defronte ao Museu Histórico. O hotel é enorme  e tem um curioso passadiço, ligando os dois edifícios do hotel. Um bar, no lobby, tem poltronas de onde se pode, tomando um drink, observar o intenso movimento das pessoas, o trânsito de bondes e carros e dos turistas entrando e saindo do hotel. Próximo, a Estação de Metrô Kálvin Square.


O sol ainda estava alto, quando chegamos e em menos de 40 minutos já, de câmara em punho, saímos para ver o Danúbio, que experimenta uma das maiores cheias de sua história. A Ponte  da Liberdade, também chamada de Francisco José, data do final do século XIX, fica a menos de seiscentos metros do hotel e é uma verdadeira obra de arte em ferro. Toda pintada de verde tem várias referências à história da Hungria e seus heróis. O trânsito intenso de carros e os ciclistas malucos me deixaram pouco confortável. Lá de cima, o Danúbio não parecia nada azul. Os barcos, impedidos de navegar e com seus acessos  dentro d'água davam uma ideia da força das enchentes dos últimos dias. Se tivéssemos optado pelo tal cruzeiro fluvial, nossa viagem teria virado um pesadelo, pois toda a navegação local estava suspensa, aguardando o rio retornar ao leito original. Vários vasos de plantas pertencentes à passagem de pedestres às margens do rio, cadeiras dos bares e as mesinhas estavam debaixo das águas turvas do Danúbio. Vai ser impossível jantarmos em um barco, à luz de velas deslizando sobre as águas desse rio, como era nosso plano inicial. Nossa sorte continua  em alta, O sol forte e o calor dão o tom da viagem. Estou tão bronzeada que quando chegar a BH vão me perguntar se estive no Nordeste.


Voltamos pela Rua Principal, vendo as belas construções, o Mercado com telhado de pastilhas  esmaltadas, padarias, sorveterias, o boulevard cheio de gente alegre e barulhenta. Não resistimos e paramos em um bar para um merecido repouso, cerveja, água e conversa fiada. Ao lado, um Ice Bar, todo de gelo, mas que não tivemos ânimo de visitar. Eram quase oito horas da noite quando voltamos ao hotel e o sol ainda estava brilhando. Fazia calor e o jantar de hoje estava incluído no pacote. Estávamos bem cansados depois da longa viagem desde Praga.


O jantar foi num salão de paredes vermelhas com belos lustres de metal, onde as lâmpadas estavam fixadas em lâminas irregulares de âmbar, o que conferia ao ambiente uma luz bastante diferente. O peixe e os legumes estavam insossos, apesar de bem servidos.

 No entanto o vinho húngaro surpreendeu. A Sheila, que não come peixe, não quis solicitar uma troca por carne e ficou na cenoura, batatas e na saladinha básica com um pão não muito macio. Viagem tem dessas coisas! Pra sobremesa, um bolo de chocolate quase sem açúcar, cheio de pintinhas brancas que eu não consegui identificar de que seria. Teve gente garantindo ser mofo, mas isso é intriga internacional.  
O quarto do hotel é muito bonito com paredes vermelhas e carpete idem. Quase todos os hotéis em que ficamos o chá, o café solúvel, creme e adoçantes estão sempre disponíveis com uma chaleira elétrica e vasilhame descartável de qualidade superior. Um luxo que eu aproveitei bastante, quando, antes de dormir me dispunha a anotar algum detalhe do dia agitado e que, com certeza me esqueceria depois.

Nono dia

O café da manhã, como na Alemanha, estava carregado de comidas gordas e saborosas. Bacon em profusão, linguiças salsichas enormes, picles, muitos ovos preparados como omeletes, tortilhas, quentes, cozidos, fritos, poché. Os folhados e geleias, frutas secas e em conserva com uma suave calda de açúcar, granolas, iogurtes, saladas de pepino - não sei porque eles insistem nisso - e os croissants mais saborosos que já comi. Soubemos que esse delicioso pãozinho foi inventado aqui na Hungria e tem a forma de meia lua, para comemorar a expulsão dos turcos, durante a invasão otomana. Só depois os franceses se apropriaram da receita.  Em tempo. A meia lua está na bandeira turca. Além disso tudo, os embutidos coloridos pela páprica picante são irresistíveis. E como são gordos! Uns muito escuros, avermelhados, cor-de-rosa... Meu Deus! Isso sim é o pecado da gula.
Logo cedo saímos para a visita panorâmica, com a graciosa e divertida guia Andrea.

As pontes de Budapeste são um caso a parte. Não só são importantes como infra estrutura de ligação entre as duas partes da cidade, mas verdadeiras obras de arte. A Ponte das Cadeias é a mais bonita delas,com seus leões que guardam a entrada da Ponte. As histórias que a cercam são fascinantes. A Ponte Margarida e seus pilares com estátuas rebuscadas são prova de que a cidade foi privilegiada pelas artes. A mais moderna é a Ponte Elizabete ou Ponte da Sissi, porque foi  a que substituiu a anterior, bombardeada durante a Guerra.
Sissi é uma personagem sempre presente na história da Hungria. Foi casada com o imperador  Francisco José, foi coroada Imperatriz da Hungria, teve uma vida bastante infeliz e acabou assassinada em 1898, em Genebra por um anarquista italiano. Ela amava a Hungria e o povo húngaro. Várias referências a ela estão por toda a cidade de Budapeste. Incluindo a ópera, construída por seu marido.
Andrea foi nos contando a história e as curiosidades da Hungria até chegarmos à Praça dos Heróis, que está localizada no Parque da cidade.



 É o maior parque de Budapeste onde edifícios históricos, museus importantes e castelos fazem parte do conjunto arquitetônico da Praça. Ela é uma das mais representativas da cidade, com colunas magníficas adornadas com estátuas equestres, anjos, chefes lendários, heróis e uma coluna altíssima, encimada pelo arcanjo. Um lugar impressionante. 


Estava apinhado de turistas e chamou-nos a atenção um grupo de estudantes muçulmanas muito alegres e barulhentas. Entre elas, uma de burca negra, fotografando compulsivamente com seu iPhone e iPad.
E continuamos a percorrer a cidade, identificando prédios, monumentos igrejas e museus. Precisaríamos de muitos dias na capital da Hungria para conhecermos tantas belezas encerradas nos seus dois lados distintos.




O ônibus nos deixou numa subida íngreme e de lá seguimos a pé até o Bastião dos Pescadores, um dos monumentos mais bonitos de Budapeste e que está localizado na área do Castelo de Buda. Sua construção  terminou em 1902 e as sete torres são homenagem aos chefes das tribos que deram início à nação húngara.
A primeira coisa que fiz foi comprar docinhos de gengibre e mandarim (aquela laranjinha que se come com casca). Foi irresistível. Doces delicados e desconhecidos, a preço de ouro, sendo vendidos a granel. Os de hibisco, de damasco, figos minúsculos, ameixa.... Deliciosos.
Bem próximo à Igreja de Mathias, uma das principais da cidade, as fontes e uma fabulosa estátua equestre do primeiro rei da Hungria, Istvan I, que reinou do ano 1000 a 1038.
A sensação é de estarmos numa cidade medieval. Muralhas, torres, escadarias, arcos, miradouros, gramados, árvores e muita gente tirando fotos, comprando souvenirs e se extasiando com a beleza da paisagem. Lá de cima, se descortina Budapeste em toda sua plenitude, o precioso prédio do Parlamento e o Rio Danúbio, que divide a cidade.

Para nos sentirmos realmente na Idade Média, um homem estranho, vestido em roupas mais estranhas ainda, refrescava um imenso condor ( ou seria um falcão?) domesticado, Seria uma águia? Assustador.
O calor estava muito forte e o cansaço já se fazia sentir. Mas excursão é isso. Um trabalho árduo e penoso.

Infelizmente a igreja de Mathias não estava aberta à visitação e, com pesar, começamos a nos deslocar em direção ao Palácio Real, descendo lentamente a imensa ladeira.
Durante a segunda Guerra todo o Bairro do Castelo foi destruído e depois reconstruído, respeitando as características originais da Casa  dos Habsburgos.


Vimos a tradicional e coreografada Troca da Guarda, os monumentos, jardins e a belíssima paisagem que se pode observar de lá. Infelizmente uma visita mais demorada era impossível naquele momento. O ônibus já nos esperava para nos levar ao hotel. A tarde é livre, para que a noite possamos estar a postos para a Gulash Party.
Resolvemos ficar próximo ao hotel, numa região que tínhamos explorado no dia anterior. Restaurantes simpáticos, lojinhas, o Mercado  e muita animação. Almoçamos uma carne deliciosa com batatas e Ceaser Salad, pra variar.
 Danilo e Élcio resolveram por mais uma cerveja e eu e Sheila nos dirigimos ao Mercado, logo ali.... Uma limousine rosa e outra branca estavam rodeadas de pessoas que participavam de um festival (?) Elvis Presley. Uns três ou quatro artistas caracterizados como o Rei do Rock cantavam e dançavam para a alegria dos "fãs". Claro que a Sheila não perdeu a oportunidade de dançar com um deles. Foi aplaudida pelos presentes....e teve certeza de que "Elvis não morreu".


Já tínhamos dado uma entrada rápida no Mercado para comermos em alguns dos  diversos restaurantes do segundo piso, mas a multidão e a falta de lugar nos levou para fora, a procura de outro lugar. Agora, com calma, vamos explorar uma pouco mais esse belíssimo prédio, de 1897, de telhado colorido em pastilhas esmaltadas e grandes estruturas de ferro.





As frutas e verduras frescas dão o colorido vibrante às bancas, os molhos e pápricas, o aroma picante e exótico e os comerciantes, a alegria e simpatia do povo húngaro. No segundo piso as comidas são um capítulo à parte. A maior parte desconhecida, cheias de molhos vermelhos de páprica, massas macias, legumes assados e muita cebola, carnes e embutidos.  Lamentamos ter almoçado.


O artesanato é primoroso. Bordados finos, cerâmica ricamente pintadas, caixinhas preciosas, madeira entalhada, joias em prata e os ovos decorados com flores e fitas. Tudo bastante caro, mas muito bonito.
Dali retornamos ao hotel e antes, resolvemos visitar o Museu Nacional da Hungria, que é logo em frente ao Mercure. O edifício clássico com colunas suntuosas e esculturas encimando a bela construção chama a atenção.
 Ali está toda a história da Hungria. Mas não pudemos entrar. Não tínhamos Florins e não aceitavam cartões nem Euros. Um tanto frustradas, atravessamos a rua em direção ao hotel e fomos nos preparar para o Gulash Party.
Do ônibus fomos admirando a estrada estreita e sinuosa do lado Buda. E sempre subindo. Nos dirigíamos ao restaurante, ambientado em uma zona mais rural, como convém a uma festa tipicamente húngara. A guia tentando nos ensinar como fazer um brinde e uma saudação na incompreensível língua local. Impossível! As risadas não foram poucas, durante as frustradas tentativas.
Logo na estrada do enorme restaurante, vários ônibus de turismo já estavam estacionados. Uma prova de habilidade manobrar naquele espaço.



Descemos e fomos recebidos por um húngaro que nos pendurou no pescoço um pequenino cantil de cerâmica contendo a bebida nacional da Hungria. A Pàlinka é uma aguardente de frutas, adocicada e bastante forte. Fizemos o brinde tradicional, algo como egchegueché  e entramos no enorme salão, onde as mesas compridas estavam  apinhadas de turistas que bebiam, comiam e se encantavam  com a música e as danças típicas.
Nem bem nos sentamos na mesa bem arrumada com tábuas de legumes de frios típicos e chega um homem com a camisa vermelha e nos servindo o vinho branco de uma estranha ampola de vidro apoiada no ombro, com um longo tubo tampado com o dedo e despejado em jatos nas taças. Todos queriam uma foto. O excelente vinho tinto húngaro, veio em garrafas que foram colocadas na mesa, para ser servido à vontade. 




O paprikás szalámi é um tipo de salame com páprica e bastante gordura, macio e semi defumado. Maravilhoso!  Fígado de ganso, um patê modelado como uma  pequena almôndega, pepinos, frios, queijos fortes, tomates doces, cebolas roxas  e outros embutidos saborosos, acompanhados pelo pão, disponível em cestas sobre a mesa. Muita fartura, muita alegria, música e dança sobre o palco.
Os músicos e dançarinos são zíngaros formados em academias de música e dança e que são profissionais respeitados. Os gitanos são os que não trabalham. No fundo são todos ciganos.
E como num bom menu de degustação os pratos começam a se suceder. Primeiro o guslash, que é qualquer ensopado de carne com legumes primorosamente temperado e servido com a pasta de páprica em separado. Nesse tinha uma massinha miudíssima e irregular, o spätzle. O molho de tomates picados em grandes pedaços, com cebolas e pimentões bem cozidos e condimentados foi servido à parte. E aí chegam enormes travessas com  enormes pedaços de carne à milanesa, cobertos de molho de nata, cebolas e batatas assadas, pedaços de repolho, linguiças e mais carnes. Muita comida rústica e saborosa como os húngaros que moram em zona rural fazem no seu dia a dia. Os nomes realmente são impronunciáveis, mas o sabor e a textura daquela culinária são inesquecíveis.

O show vai se desenvolvendo à medida que jantamos. As graciosas meninas dançam e rodopiam com seus vestidos típicos. Uma dança com uma  garrafa de vinho sobre a cabeça sinaliza que são virgens (?). Os músicos são primorosos, principalmente o violinista. As outras mesas já estão vazias. O show termina e os músicos resolvem tocar um samba. Duas - pasmem senhores! - argentinas sobem ao palco e sambam como cabrochas experientes. E todos se animam, aplaudem! 

Resolvem tocar um tango e o casal mais animado, Élcio e Sheila, dão um show  para los hermanos. Aplaudidos, começam, enfim, a se entender. Argentinas fazem declarações de amor ao Brasil. Buenos Aires me encanta! ... e por aí vai.
 IN VINO VERITAS!
No ônibus uma enorme cantoria. Até a Carolina foi convocada a se apresentar! Depois de desfrutarmos de uma estonteante Budapeste iluminada e debruçada sobre o Danúbio, vista do alto de um miradouro, retornamos felizes ao hotel.

Realmente "no vinho está a verdade". Só depois dele é que esse grupo de 42 pessoas, que há mais de dez dias estão confinadas no mesmo ônibus e ficando nos mesmos hotéis,  começam a se entender e conversar como velhos amigos. Pena que logo o grupo da Special Tours vai se  desfazer.


Décimo dia

Cedo já estávamos desfrutando o café da manhã e suas delícias. A confeitaria húngara é delicada e saborosa. Vamos aproveitar!
A saída está marcada pras 9:30h Vamos para Viena, que fica a 250 de  Budapeste. Quando passamos pela Ponte da Liberdade observamos o rio bem mais baixo, pescadores já com suas varas e alguns cisnes brancos nadando ao sol.
A estrada como sempre, excelente. A paisagem enfeitada pelos cataventos de energia eólica e painéis coletores de energia solar,  campos de papoulas floridas, plantações verdinhas e os tradicionais rolos de feno espalhados pelo terreno. Algumas plantações de pêssego e cerejas. Um kartódromo, um campo de golf e uma refinaria gigantesca já bem próximo a Viena.


O ônibus nos deixou bem próximo à Praça Albertina onde nos foi indicado um restaurante, o Rosenberger. Imenso, confuso e com uma ótima comida. Difícil de entender como funciona. Filas enormes, mas serviço rápido e eficiente. E bastante caro. Comemos no segundo piso onde estava mais tranquilo, cerveja austríaca e um breve descanso.

Logo ao voltar à Praça identifiquei o Hotel Sacher, onde foi inventado, por volta de 1830, a famosa Sachertorte, que segue a mesma receita até hoje  e é umas das especialidades da gastronomia vienense.



Achamos o movimento de turistas um tanto diferente até descobrirmos que era o Dia da Parada do Orgulho Gay. E tivemos de mudar um pouco nosso itinerário, pois a guia queria nos levar para conhecer  um pouco do centro de Viena.
Viena é uma cidade linda, pulsante de vida e alegria. Uma cidade que já passou nas mãos de romanos, húngaros, se livrou do cerco otomano, já foi  sede da residência dos Habsburgo e que teve dois terços de sua população dizimada pela peste, hoje é considerada uma das cidades de melhor qualidade de vida do mundo.
É uma cidade limpa e segura. Seus serviços públicos são altamente eficientes. A Educação é prioridade, a cultura e diversão realidade.
Ali viveram Schubert, Strauss, Liszt e tantos outros que deixaram uma grande herança musical. O rio Danúbio é uma dos símbolos da cidade.
Aos poucos os monumentos e prédios históricos foram desfilando diante de nossos olhos. 

 A coluna da Peste e suas figuras em cobre dourado, rodeada de turistas, é um belo monumento no calçadão Grasben. Ali também estão as lojas mais chiques de Viena.
A grande Praça Imperial  é um gigantesco conjunto arquitetônico que abriga Palácios e os tesouros acumulados pelos Habsburgo durante sete séculos, museus e as preciosas coleções de arte sacra, a Biblioteca Nacional Austríaca, a Escola de Equitação, capela e outros tantos edifícios históricos. A Chancelaria Imperial e seu domo de cobre esverdeado pelo tempo, o  belo arco triunfal ladeado de majestosas esculturas ligam a um outro espaço  enorme, com fontes e monumentos preciosos.
Dali pudemos observar a grandiosa construção da Prefeitura e do Museu de História Natural, onde meu filho trabalhou por uns dias. Parece mais um palácio.

E continuamos nosso passeio, ao som da multidão que cantava animadamente na Parada Gay, nos divertindo com as fantasias e adereços dos participantes. A Polícia isolava os grupos pró gays, dos grupo de religiosos que gritavam palavras de ordem. Tudo muito civilizado e sem baderna.
O calor e sol forte deixava tudo mais animado. Afinal é verão nessa cidade, que chega a temperaturas extremas no inverno rigoroso, típico da Áustria. Uma cerveja Zipfër foi uma boa pedida, no Restaurante Medusa. Enquanto os homens continuava ali, no restaurante matando a sede, fomos até a maravilhosa Catedral de Santo Estevão, que domina a paisagem. O telhado de telhas esmaltadas é lindíssimo.

Essa Catedral gótica existe desde o ano de 1147, mas passou por várias intervenções e um grande incêndio através dos tempos. Precisaríamos de um dia inteiro só para conhecermos tantos detalhes, como o púlpito gótico, as colunas repletas de estátuas de santos, os altares laterais e o principal, os nichos e suas figuras. Por fora a alta torre  do campanário e as duas torres da entrada mostram a enormidade e beleza da construção.  
Andamos mais um pouco pelo calçadão ouvindo uma cega cantando ópera, indianos tocando grandes tubos apoiados no chão, alguns gays fantasiados desgarrados do desfile e a beleza do centro de Viena coroando toda aquela confusão. Comprei um pacote de cerjas frescas e doces para levar ao hotel.


Voltamos a encontrar os maridos e na hora marcada estávamos a postos para conhecer nosso Hotel, um pouco afastado do centro, mas próximo de uma estação de metrô. O Áustria Trend Ananas é um hotel muito bom, quartos decorados em vermelho, funcionários atenciosos e recepção agradável.
Foi a conta de entrarmos no quarto, receber as malas e sairmos para uma cantina italiana, com o sugestivo nome de Casa Grande e que fica bem próximo ao hotel. Uma cerveja, um papo de fim de jornada e pra variar, uma pizza excelente, em plena capital austríaca. Acabei tomando um delicioso vinho e os rapazes assistiram parte do jogo Brasil e Japão sem maiores entusiasmos.

Décimo primeiro dia

Depois do café com cerejas , geleias strudel de maçã e de pêssego, pães e tudo mais que tínhamos direito, embarcamos no ônibus em direção à Òpera de Viena, que fica bem no centro da cidade e foi construída em 1861. Em 1945 foi bombardeada pelas forças aliadas e teve parte destruída  pelo incêndio. Reconstruída durante dez longos anos,  a Ópera de Viena tem um papel importante na vida cultural da cidade. 




Durante todo o ano e a cada uma ou duas semanas a programação é mudada para alegria de turistas e moradores.
Andamos pelo prédio maravilhados com os pesados lustres de cristal, os dourados das escadarias, as colunas encimadas por obras de arte, os afrescos, telas de artistas famosos e a arquitetura rebuscada do interior da Ópera. Estivemos nos bastidores, vendo o trabalho insano dos operários, engenheiros, e técnicos montando um novo e gigantesco cenário. Nos sentamos no palco e admiramos  as frisas, os camarotes e o teto lindíssimo. Foi uma visita sem pressa, e que pudemos curtir calmamente todo aquele ambiente fascinante. Do lado de fora as fontes gêmeas, e os cavalos alados sobre o teto.






De lá saímos em direção ao Palácio de Schönbrunn, bem perto, por sinal. Em poucos minutos e já estávamos chegando. A história desse Castelo Imperial  retrata toda  a história do Império Áustro-húngaro. Foi residência dos Schönbrunn, destruída pelos turcos, abandonado e reconstruído por Leopoldo I, que o queria mais imponente que Versailles. Durante quase um séculos a construção das dependências desse esplendoroso palácio foi acontecendo. Com 1440 quartos o Palácio de Verão da família imperial serviu para várias finalidades até os dias de hoje. Aqui viveu Dona Leopoldina de Habsburgo, que se casaria com D. Pedro I. Napoleão  e sua comitiva se mantiveram ali enquanto os franceses ocupavam Viena. Em 1945 foi requisitado pelas tropas aliadas e serviu como quartel general para os britânicos.
Hoje é uma das principais atrações turísticas de Viena, assim como seus gigantescos e bem cuidados jardins, onde se encontra o mais antigo Zoológico do mundo, com mais de quatro mil animais.
Como todo palácio, Schönbrunn deixa o visitante extasiado diante de tanto luxo, tanta beleza, tanta imponência. Percorremos diversas dependências ornadas de dourado, as paredes recobertas da mais fina tapeçaria, requintados painéis orientais, móveis cobertos de ouro, lustres imensos do mais puro cristal e todo o fausto do Império.

Os jardins são uma obra de arte. Flores de cores vibrantes caprichosamente arrumadas entre os gramados, alamedas de árvores centenárias, lagos, monumentos, fontes, estátuas... Passamos horas admirando tanta beleza e imaginando como seria a vida daquela época, pra quem era da realeza.
Voltamos ao centro e resolvemos almoçar em um restaurante bem atraente. E não erramos. As saladas, carnes, strudel de cogumelos e molho suave de mostarda, tudo muito bem acompanhado de uma cerveja perfeita nos fez sentir "reis" em Viena.
E, sendo assim, embarcamos em uma charrete e passeamos por quase duas horas pela cidade, revendo alguns lugares, conhecendo outros. A Sheila, sentindo-se rainha, ia saudando os súditos, com um magnânimo sorriso nos lábios....





Uma visita ao Museu Albertina faz parte do roteiro de qualquer turista. Nos contentamos com o exterior, subimos pelas escadas rolantes, andamos pelos corredores iluminados e galgamos ao terraço, de onde se avista toda a Praça e seu belíssimo conjunto arquitetônico. O sol muito quente e o forte calor nos levaram de volta ao Café Mozart, no Sacher Hotel. Água e a  famosa torta de chocolate do Sacher, um breve descanso e lá fomos nós turistar mais um pouco. Dessa vez no Red Bus City Tour. Mais duas horas percorrendo a cidade, com os microfones nos desvendando em português todos os segredos da capital austríaca.




A parte moderna de Viena fica às margens do Danúbio e é chamado de Danau-City. Prédios modernos, altas torres espelhadas onde é o centro financeiro da cidade, parques, bosques, a antiga e famosa roda gigante, a fabulosa Igreja do Jubileu do Imperador Francisco José, as sinagogas, os centros islâmicos e flores espalhadas pelas calçadas e praças. Quantas rosas!

Cansados, resolvemos voltar de metrô. Quatro rapazes nos observavam com olhares curiosos. Quando chegamos ao nosso destino eles se prepararam para nos assaltar. Porém, percebemos, Danilo gritou o nome do Élcio de maneira agressiva e eles desistiram de levar a poderosa câmara, que estava pendurada no pescoço, no melhor estilo "sou turista".
Ainda assustados entramos no primeiro bar que estava no caminho, cheio de alegres rapazes e moças nada convencionais. Depois da primeira cerveja, vimos que aquee era um bar de gays e percebemos que estávamos "sobrando". Voltamos à cantina italiana onde jantamos muito bem e retornamos ao hotel. Vamos partir para Lisboa. A excursão da Special Tours termina no aeroporto, amanhã de manhã.

Décimo segundo dia
Depois do café e antes do traslado para o Aeroporto de Viena, ainda consegui comprar uma sandália. Meus pés estão destruídos. Nem as duas caixas de band-aid estão resolvendo.
O aeroporto fica a pouco mais de meia hora do Hotel e logo já estávamos na sala de embarque. O voo da TAP, de 3:30h nos conduziu ao megalomaníaco aeroporto de Lisboa, onde se anda quilômetros até conseguir chegar à área de resgate de bagagens e mais meio quilômetro até avistarmos nosso receptivo. Canseira!
O Hotel Aviz, a  dez quilômetros do aeroporto, fica  juntinho à Praça Marquês de Pombal e a Avenida da Liberdade, em uma excelente localização. O Hotel  é um quatro estrelas e que na década de 30 recebeu hóspedes famosos como Frank Sinatra, Ava Gadner, Evita Peron, o rei da Romênia, Marcelo Mastroianni e outros do jet set internacional. Hoje é um hotel elegante, porém sem os luxos do passado e que atende com simpatia e cordialidade.
Enquanto decidíamos o que fazer, mapa na mão e cerveja pra variar, no balcão do lobby do Aviz.
Resolvemos descer até o Tejo pela avenida da Liberdade, enfrentando o vento frio. Dizem por aqui que quem não viu Lisboa não viu coisa boa.. E é assim. Lisboa é certamente um dos melhores lugares do mundo. Mistura de forma harmoniosa a poesia, a luz, os aromas, os sabores, o novo, o velho, as memórias do passado...



A Avenida da Liberdade é longa e liga a Praça Marquês de Pombal à Praça dos Restauradores. É um dos marcos turísticos de Lisboa com grandes canteiros floridos,  árvores frondosas, teatros, edifícios históricos e lojas de grife, que fazem dessa avenida uma das mais caras do mundo. Vimos o Elevador da Justa, admirando a arte nas calçadas portuguesas.
 E assim caminhamos até à Praça dos Restauradores, já próximo ao Rossio, admirando a arquitetura e avistando o Castelo de São Jorge, lá no alto. Batemos algumas fotos e seguimos pela Rua da Prata até o Terreiro do Paço, ou Praça do Comércio.
As arcadas que circundam o grande espaço, abrigam hoje parte dos departamentos do governo português. Por ali  também, cafés, restaurantes e pequenas lojas.
Fomos até á beira do Tejo encolhidos por causa do vento gelado. As pontes, o mar e o Rio se confundindo, os barcos balançando soprados pelo vento forte. Sentimos ali, Lisboa como uma cidade de mar, de cultura, de fascínio.
Onde comer? A fome já dava sinais, pois apesar do dia claro já passava das 21:00h. Na dúvida, um guarda de trânsito nos indicou um restaurante em frente à um Hospital. Não vai prestar...


Defronte ao Hospital Santa Marta o restaurante Mastro  é especializado em grelhados no carvão e frutos do mar. Vinho bom, cerveja Sagres, serviço simpático e comida excelente, para nossa surpresa.
De táxi, logo estávamos no Aviz. Precisamos mesmo descansar. Como diz Fernando Pessoa, a melhor maneira de viajar é sentir. E estamos sentindo que Lisboa vai ser um ótimo programa para finalizar nossa viagem.

Décimo terceiro dia
No próprio hotel, compramos um passe do Red Bus válido para o dia inteiro, e debaixo de chuva fina  começamos o passeio por Lisboa, com os fones nos ouvidos, curtindo a cidade, que mesmo nesse dia frio e chuvoso cativa o turista pela magia da cidade, que é feita de muitas cidades.
Descemos no Parque das Nações, em Santa Maria dos Olivais, debaixo da chuva, que não estava incluída em nossos planos.


O Oceanário, que é um dos maiores do mundo, é uma instituição de pesquisa e possui uma fabulosa coleção de espécies dos oceanos do mundo. Recebe uma média de um milhão de visitantes por anos e foi inaugurado para Expo 98. O tema é "Os oceanos, um Patrimônio para o Futuro." São mais de 30 aquários, mais de sete milhões de litros de água, milhares de espécies entre plantas, animais marinhos, mamíferos e aves.
Ficamos hipnotizados com os tubarões, barracudas, arraias enormes, atuns, peixes tropicais de cores brilhantes, um raro peixe-lua, siris, caranguejos... E depois lulas, polvos enormes, lontras, pinguins, papagaios-do-mar...
Versos e poemas espalhados pelos negros painéis ..."Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar".
A todo momento se percebe os tratadores de pinguins, lavadores de telhado e mergulhadores dando um trato nos corais com pequenas escovas ...Vê-se que o lugar conta com centenas de funcionários. Grupos de crianças sentadinhas perante os aquários ouvem as explicações das professoras. A infra-estrutura é perfeita.  Em uma lojinha no fim da visita comprei uns bichinhos de pelúcia para os miúdos.

Ao sairmos pegamos o teleférico que nos leva como se estivéssemos flutuando entre o azul do Tejo e o Parque nas Nações. A Ponte Vasco da Gama é uma visão muito próxima.  O vento balança nossa cabine. De cima, ver Lisboa sob esse ângulo é um privilégio. Algumas fotos  e minutos depois já estamos desembarcando próximo ao Hotel Myriad, o mais alto Edifício de Portugal, integrado perfeitamente à Torre Vasco da Gama, onde funciona um restaurante giratório. A impressão é que aquilo todo é um mastro  de vela náutica, adentrando ao Tejo. Parece que estamos em Dubai.
Esperamos o Red Bus  por uns dez minutos e continuamos nossa jornada por Lisboa.

Que beleza as abóbodas da Gare do Oriente com o estilo arrojado e  inconfundível do arquiteto Santiago Calatrava. Elas também compõem o Parque das Nações. Lisboa é tradicional e moderna, e cada momento vamos descobrindo novas sensações dessa cidade incrível.


Descemos próximo à Torre de Belém. é uma bela fortificação construída exatamente na Praia de onde saíram as Caravelas do Descobrimento. Os arabescos lembram todos os símbolos de Portugal e alguns exóticos, como um rinoceronte, flores e brasões. O sol forte tornou nossa caminhada um tanto penosa. A área é enorme, com árvores e jardins. Almoçamos ali perto, descansamos um pouco e seguimos rumo ao Padrão dos Descobrimentos. Um pouco distante porque tivemos de contornar uma marina cheia de embarcações de pequeno porte.


Com mais cinquenta metros de altura, esculpido em pedra de lioz - típica de Portugal -  esse monumento foi inaugurado em 1960 e tem a forma de uma caravela entrando no mar. Trinta e três portugueses ligados ao descobrimento podem ser identificados, navegadores, pintores, cartógrafos e o poeta Luis de Camões.

Logo em frente, do outro lado da avenida o portentoso Mosteiro dos Jerônimos e seus belos jardins. Dessa vez não visitaremos o seu interior, nos contentaremos em ver todo o majestoso conjunto arquitetônico que comporta a igreja, claustro, túmulos de figuras notáveis como Vasco da Gama, Camões e Fernando Pessoa, arcadas jardins internos, museus. Precisaríamos de algumas horas para visitá-lo com calma.
Andando entre os numerosos grupos de turistas chegamos ao famoso "Pastéis de Belém". Eu quero! As filas gigantes, não nos intimidaram. Descobrimos que se sentarmos para um café, não precisamos enfrentar as tais "bichas" ( filas no português de Portugal).
Fundada em 1837 a loja oferece o mais tradicional dos doces conventuais portugueses, além de pãezinhos, marmelada e biscoitos finos. Só queríamos um café e os fantásticos doces. Maravilha! Com açúcar e canela então....
Sentados em uma mesa pequena, pudemos observar as centenas de grandes tabuleiros saindo do forno e ganhando os clientes. Um loucura! São perfeitos, delicados, deliciosos.
Passamos defronte ao Museu do Coche, mas a animação já estava em baixa. Esperamos por uns minutos o Red Bus e seguimos em frente absorvendo o máximo que Lisboa podia nos proporcionar. A praça de Touros, o Jardim Zoológico, as largas avenidas, o Porto, a casa de Bicos.... Chegamos finalmente à Praça Marquês de Pombal, não sem antes passarmos pelo Parque Eduardo XVII.
Jantamos ali próximo ao Hotel, com um bom vinho, saladas e carnes grelhadas. A divisão de ambientes do restaurante é uma parede, de prateleiras de vinhos portugueses. Do Porto, do Vale do Rio Dão, do Minho, do Douro, do Alentejo...

Décimo quarto dia

 Do Brasil contratamos  um "personalizado" para nos levar à Fátima, Óbidos e Batalha.
O Café da manhã no Aviz é bem diferente dos demais hotéis pelos quais passamos nessa viagem. Nada de tumulto, de gente falando alto e nenhuma fila. Tudo clássico, europeu. Mobiliário, arranjos, decoração, serviço e uma bela estátua de uma indígena brasileira compondo o ambiente.
Os pastéis de Belém, o excelente pão preto e o camembert, fizeram a minha alegria.
Por volta das 8:30h, o Tiago já nos esperava numa confortável van Mercedes. Jovem, bonito e de uma simpatia cativante nos levou pelas inigualáveis estradas portuguesas até Fátima. Frio, um pouco de neblina e muita fé envolvem esse lugar santo. Ouvimos a história das aparições de Fátima contadas de forma simples e convincente.
A casa de Jacinta e Francisco, com objetos da época, o grande terreiro com figueiras centenárias e ainda produzindo frutos de qualidade, o poço do Arneiro onde as imagens brancas das crianças levam os turistas a rezarem em silêncio. Tudo isso nos faz refletir e rezar agradecendo a Deus por estarmos ali.



A casa da irmã Lúcia também é simples e bem pequena. Cheia de fotos, e referências à aparição da Virgem. Ruas estreitas, casinhas simples com flores nas janelas e nos pequenos jardins, muitos turistas e peregrinos.


Chegamos ao Santuário de Fátima ouvindo toda a história que cerca aquele lugar. A Basílica foi iniciada em 1928. Fátima é um lugar de silêncio,  onde as pessoas falam baixo, rezam, refletem sobre a vida e os mistérios da fé, independente da religião que praticam. Entramos primeiro na Igreja nova, onde uma bela imagem de João Paulo II nos dá as boas vindas. O altar é moderno, e o painel ao fundo , dourado e  trabalhado com arte, lembra um pouco a arte bizantina dos mosaicos de ouro.

Andando em direção à Basílica, passamos por baixo das redes de aço, que enfeitam a passagem, cheia de um simbolismo simples e que emociona.  O crucifixo,  34 metros de altura, chama a atenção dos peregrinos, assim como a coluna no meio da  enorme esplanada, que é  encimada por uma estátua de Jesus dourada e que parece acolher quem está ali.
A grande Basílica, com a torre sineira tendo em seu topo a coroa dourada da Virgem, fica no alto da escadaria monumental. Nas laterais os arcos a abraçam e dão vida à  via sacra e seus 14 painéis lindamente pintados.
E tem ainda o fontanário de Fátima, o toucheiro onde milhares de velas ardem em agradecimento ou à solicitação de graças e um presépio de linhas modernas. Dentro da Basílica estão os túmulos dos três videntes da Virgem, um imenso órgão de tubos, e muitos fiéis em oração.
Na antiga capelinha, de 1919, um padre celebrava um missa e o povo entoava cantos que invadiam a Cova da Iria.
A imensa árvore, chamada de Azinheira Grande, com mais de cem anos, é testemunha viva do milagre de Fátima.
 Nos encontramos com o Thiago, próximo ao lugar onde um  pedaço do muro de Berlim, citado em um dos segredos de Fátima, está entre placas de vidro, exposto como símbolo da queda do Comunismo.
Ainda sob o impacto e emoção desse lugar tão especial, compramos algumas lembranças em uma das centenas de lojinhas ao redor da Esplanada e seguimos viagem
Devemos almoçar em Batalha. Tiago continua nos contanto em tom coloquial a história da Região de Leiria, que vamos percorrendo, sem pressa. Exatamente, após uma curva,  quando nos contava que o portentoso Mosteiro de Batalha tinha sido mandado construir por Dom João I - Mestre de Avis -  para agradecer a Deus pela vitória na batalha de Aljubarrota, em 1385, nos deparamos com a maravilhosa construção gótica do Mosteiro.  Impactante!




O Mosteiro de Batalha é classificado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade e também é chamado de Convento de Santa Maria da Vitória, é uma verdadeira joia arquitetônica do gótico português.
Já é tarde e vamos almoçar antes de visitar o Mosteiro. O restaurante "O Mestre" é ao lado do Hotel do mesmo nome (Hotel Mestre Afonso Domingues). Bem decorado e com as mesas já arrumadas com taças, guardanapos e arranjos delicados. Fizemos nossos pedidos e ali, saboreando um tinto perfeito, ficamos defronte à maravilhosa construção do Mosteiro. Comida excelente  e serviço também. O banheiro até mereceu uma foto. Convidamos o Tiago para nos fazer companhia. Não é todo dia que encontramos uma pessoa tão especial.
Após o almoço, comprei uns figuinhos secos, doces como mel, em uma barraquinha de doces e biscoitos ali perto.

Na praça defronte ao Mosteiro fica a estátua equestre de São Nuno de Santa Maria. No interior a surpresa diante da arquitetura arrojada e dos detalhes rebuscados foi grande. O gótico é um estilo único e instigante. Em todos os lugares, em qualquer cantinho, arte, arte e mais arte: púlpitos, vitrais, coro, mobiliário, altares, túmulos, pórtico... Tudo  maravilhosamente harmônico e bem preservado.

Mais um pouco ali dentro ouvindo a história que o Tiago tão bem sabe contar e pegamos novamente a Estrada, agora em direção à Nazaré.

A pequena Vila de pescadores deu origem ao povoado, hoje com mais de dez mil habitantes. Na grande praça vendedoras com as típicas Sete Saias vendem guloseimas, as lojas de souvenirs cheias de turistas, a igreja, casas pequenas com jardins floridos...  Chegamos à beira de um penhasco, onde se descortina a parte baixa da cidade, bem rente a praia. O casario branco de telhados vermelhos é uma visão inesquecível. Que coisa linda, o mar, as casas, a larga faixa de areia clarinha e o sol querendo se esconder. Vamos seguir em frente, pois ainda vamos visitar Óbidos.


Óbidos significa "cidadela, ou cidade fortificada". Essa pequena Vila, também na região de Leiria tem séculos de história, uma muralha bem preservada, o aqueduto com seus arcos perfeitos, um castelo e o casario mourisco, que emprestam ao lugar ares medievais. Óbidos tem uma história bonita. Foi presente do rei à sua mulher.



 Uma vila inteira de presente. Por isso é também chamada de vila das Rainhas. Passamos pelo pórtico e mergulhamos no passado. Começamos a subir a rua de pedras, vendo as casinhas, o comércio, as lembranças oferecidas nas portinhas das lojas pequenas e bem decoradas de forma ingênua e harmoniosa. O licor de ginja, ou simplesmente ginginha, é um licor da frutinha vermelha similar à cereja que se compra em copinhos de chocolate e é bastante saboroso. As ruas estreitinhas vão nos levando para o alto. A cidade amuralhada oferece, lá de cima uma visão fascinante de toda a vila. O frio e o vento eram constantes e nuvens escuras ameaçavam nosso passeio. Mas a chuva não caiu e continuamos a viver aquele momento mágico. estar em uma cidade medieval e se sentir, mais uma vez privilegiado.
É hora de voltar a Lisboa, com o coração leve e cheio de alegria por ter conhecido esse pedacinho de Portugal. Ficou a vontade de voltar e passar uns dias por aqui. Talvez nas festas medievais que acontecem todos os anos.
São apenas 80 Km até Lisboa e logo já estávamos no Hotel para um banho rápido, pois hoje jantaremos aos som do Fado. Apesar de já perto das 21 horas, o dia ainda está claro.

Em 1997 estivemos no Bairro Alto, que é o bairro que abriga  a vida noturna mais animada de Lisboa, com bares, restaurantes e casas de Fado. Ruas estreitas, casarões antigos, pedras como calçamento e um jeito das antigas cidades brasileiras. Não tem jeito. Estando em Lisboa a todo momento nos deparamos com um pedaço do Brasil.
O fado, que em latim quer dizer destino  é um estilo musical cantado em Portugal, normalmente acompanhado da guitarra portuguesa e da viola. São várias as casas especializadas. Resolvamos voltar à Adega Machado que já completou 75 anos,  foi remodelada, mas continua mais tradicional do que nunca. Ali, a fadista Amália Rodrigues se projetou para a fama.
O Fado canta o amor, a saudade, o destino dos amantes, as tragédias amorosas, a tristeza do amor perdido, a amargura... canta Lisboa, seus antigos bairros e Portugal como a  pátria sempre amada. Os versos ingênuos e tristes, nas belíssimas vozes dos fadistas presentes na casa, enchem de emoção os portugueses e os visitantes. A gastronomia da casa é de primeira qualidade, os vinhos primorosos e a cerveja Sagres. Optei por um Dá cá bacalhau e o Danilo um Ó que três. Eu devia ter fotografado todos os cardápios portugueses. Os nomes dos pratos são inacreditáveis.

Alguns versos ouvidos por lá....

...e se não estivesses ao meu lado, não haveria o Fado, nem fadista como eu sou...

...Lisboa cidade mulher da minha vida. Lisboa menina e moça...

...O Fado é um malandro vadio. OH! Júlia, andas com a noite na alma....

...viver abraçada ao Fado, morrer abraçado a ti....

...Seus olhos são mistérios, que só se encontra uma vez. Deus fez os teus, não fez mais. Por ver o perigo que fez...

... os amantes infelizes deveriam ter coragem para mudar o caminho...

...Acho inúteis as palavras, quando o silêncio é maior. Inúteis são os meus gestos , para falarem de amor.
Acho inúteis os sorrisos quando a noite nos procura. Inúteis são minhas penas, pra te falar de ternura.
Ah! Eu acho inúteis nossas bocas, quando voltar o pecado. Inúteis são os meus olhos pra lhe falar do passado. Acho inúteis nossos corpos quando o desejo é certeza. Inúteis são minhas mãos nessa hora de pureza!

Amanhã é nosso último dia! Que viagem fantástica!

Décimo quinto dia

 Mais uma noite no charmoso Hotel Aviz. Por sugestão do recepcionista, em vez de irmos de Red Bus para Cacais e Estoril, pegamos o táxi do sr. Tó (Manoel Antônio), combinados por E$100 para nos levar a Cascais e Estoril, mais ou menos de 9 horas até por volta de 13 horas.
Gentil e engraçado, o Sr. Tó nos conduziu, até o Cabo da Roca, que já conhecíamos e que, como disse Camões, "onde a Terra se acaba e Mar começa" o vento gelado nos desequilibrava e desencadeou um acesso de risos incontrolável. Precisamos segurar para não cair, tal era a força do vento. Parecia que íamos congelar. 



O Cabo da Roca é o ponto mais Ocidental da Europa. Ali existe uma loja turística e um belíssimo farol.  A vegetação é única, flores e plantas diferentes de tudo que já vimos. Muito bonito.
Curtimos um pouco a belíssima paisagem, o mar  batendo nas rochas, as falésias e ao longe as embarcações coloridas...

Em poucos minutos paramos na Praia do Guincho, onde tem um hotel e onde os Lisboetas gostam de aproveitar os dias de sol.  O mar é de um azul tão profundo que parece o mar do Caribe.




Mais um pouco e chegamos à Boca do Inferno. Um impressionante conjunto de rochas escavado pelo mar, batido incessantemente  pelas ondas. Parece que foi uma gruta arrasada pela força das águas, formando uma cratera na  rocha. Pescadores se arriscavam na beira do paredão. Outro lugar pra ficar na lembrança.


Cascais finalmente! Antigamente, Cascais era o retiro de verão da monarquia portuguesa e foi o refúgio de reis europeus durante a Segunda Guerra. A meia hora de Lisboa, Cascais tem hotéis estrelados, é lugar de pesca farta, vida cultural intensa e atividade noturna agitada. As areias brancas, o mar azul e os restaurantes refinados fazem de Cascais um dos destinos de verão mais sofisticados de toda a Europa.
Ficar pelo calçadão vendo as pessoas na praia, as crianças correndo entre os canteiros floridos e o intenso movimento dos barcos é apaixonante.
Seguimos agora para Estoril, que é ligado a Cascais e fica a 18 Km do centro de Lisboa pela Marginal, uma linda estrada que vai mesmo margeando o mar e o Tejo, que se confundem logo à frente.
O Cassino Estoril é o maior da Europa e atrai milhares de visitantes todos os anos. Os esplêndidos jardins, com as tradicionais palmeiras, as fontes que à noite se iluminam para o balé das águas, o comércio luxuoso, os hotéis elegantes e a gastronomia fina atraem e conquistam os visitantes.
Combinamos com o taxista de nos deixar no Castelo de São Jorge. Isto é otimizar o tempo do nosso último dia em Lisboa.




O Castelo fica no topo da mais alta colina do centro histórico e tem o nome do protetor dos cavaleiros das Cruzadas. O lugar já foi invadido por visigotos, mouros e romanos. Parte do Castelo foi destruído no grande terremoto de 1755 e reconstruído por diversas vezes. Suas onze torres podem ser visitadas e os belos jardins, escadarias e bancos de pedra, os canhões, a muralha, o Museu e as ruínas arqueológicas podem ser admiraoas e de graça pelos habitantes de Lisboa. Os turistas pagam pouco mais de E$7. Vários eventos artísticos e  culturais acontecem na imensa área que cercam o castelo. Gansos, patos e lindos pavões passeiam pelos jardins floridos entre as pessoas, sem nenhum problema. Carvalhos centenários, oliveiras e figueiras completam a paisagem
O que mais atrai nesse lugar é a vista ímpar que se tem de Lisboa. Lá do alto, vamos identificando a Avenida da Liberdade, o Rossio, as Pontes, o Tejo, a Praça do Comércio... Um passeio visual pela cidade, então iluminada por um sol forte e sob o céu absolutamente azul. O casario, as igrejas... Todos os segredos de  Lisboa estão diante de nós.


E começamos a descer em direção ao Bairro da Alfama. Queria comer as tão faladas sardinhas na brasa. E foi no Bar do Santiago que sentamos para uma Sagres bem gelada e aguardamos as sardinha. Decepção total. Eles assam as sardinhas levemente salgadas, com escamas e tripas. Exatamente do jeito que chegam às redes dos pescadores. E as comem inteiras, com tudo. Vimos duas mulheres na mesa ao lado comerem as bichinhas inteiras. Só sobraram as espinhas. Nem a cabeça ficou no prato. Realmente não dá. Destrinchamos as sardinhas para comer a carne tenra e saborosa. Mas desistimos de pedi-las para o almoço. Fiquei mesmo no carneiro (borrego) com batatas. Gostei da troca.
Cansados, os homens votaram ao hotel e eu e Sheila fomos ao Shopping Colombo. São mais de trezentas lojas, cinemas e restaurantes. Difere um pouco de outros Shoppings porque os corredores foram substituídos por "ruas", com nome, praças, esquinas. Muito interessante a concepção desse centro de comércio, que fica bem próximo do estádio do Benfica. Finalmente  a Sheila conseguiu comprar um relógio de cozinha que ela tanto procurava.

Tomamos um expresso com pastéis de Santa Clara, pegamos um táxi e voltamos ao Aviz. Hoje temos de ter um jantar de despedida à altura dessa viagem.
Por volta das 20 horas, chegamos ao Rossio caminhando até chegarmos à rua turística Portas de Santo Antão. Acabamos por nos assentar nas mesas de fora do Restaurante Churrasco. Nessa rua tudo acontece. Malabaristas, artistas de rua, engolidores de fogo, instrumentistas. Um vinho do Porto, e grelhados com aspargos macios e suculentos nos foram servidos de forma amistosa. Brindes e uma saudade prematura. Ainda ali e já com a saudade se instalando.
Logo cedo já nos dirigimos ao aeroporto de Lisboa, onde filas quilométricas nos aguardavam nos balcões de atendimento da TAP. A viagem de volta foi durante o dia, o que parece prolongar esse voo tão comprido. Mas chegamos bem, sem passeatas e manifestações nos esperando.

Agora é começar a programar a PRÓXIMA VIAGEM... Para onde? Quando? Com quem? Espero que esses companheiros de viagem tenham gostado tanto que voltem a viajar com a gente. Eles fizeram da nossa jornada um sucesso. Obrigada Sheila e Élcio!

Um comentário:

Felipe Tavares disse...

Ju,

Como sempre, você brilha! =D

Li tudinho e me senti um "intruso" na viagem de vocês, sensacional!

bjo